Faleceu esta quarta-feira, 15 de dezembro de 2021, com 69 anos, Gloria Jean Watkins, que em meados dos anos 70 do século passado adotou o nome bell hooks, em homenagem à sua bisavó materna, Bell Blair Hooks. Escolheu escrever o seu nome em letras minúsculas, porque queria sublinhar que o importante era a sua obra e não a sua identidade.
bell hooks nasceu no Kentucky em 1952 e morreu em Berea, também no Kentucky, junto de seus familiares. Faleceu vítima de insuficiência renal, segundo disse a sua irmã Gwenda Motley ao The Washington Post.
Escritora, poeta e ativista incansável, bell hooks tornou-se um símbolo do feminismo e destacou-se por salientar a interseccionalidade, sublinhando que a luta feminista não se pode desligar da luta contra o racismo e contra o capitalismo.
Publicou o seu primeiro livro sobre teoria feminista em 1981: Não serei eu mulher? - As mulheres negras e o feminismo, (de que há uma edição em português, da Orfeu Negro). O título deste livro é uma citação de Sojourney Truth, uma mulher escravizada no século XIX e pioneira da luta feminista negra nos Estados Unidos. “As mulheres estadunidenses, sem exceções, são socializadas para ser racistas, classistas e sexistas em vários graus, e chamarmo-nos feministas não muda o facto de que devemos trabalhar de forma consciente para nos desfazermos desse legado”, afirma bell hooks neste livro1.
Ao longo da sua vida publicou mais de 30 livros e numerosos artigos académicos. Em 1983, doutorou-se em Literatura na Universidade de California, Santa Cruz.
bell hooks escreveu sobre diversos temas em ligação com o feminismo, política, amor, sexualidade, masculinidades, cultura e educação. Em 1984, publicou o livro Teoria Feminista - Da Margem ao Centro (de que há uma edição em português de Orfeu Negro, 2020). Em 2000, entre outras publicações, escreveu Tudo sobre o amor e também Feminism is for everybody: passionate politics.
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