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Montepio, a banca de favor investigada pela PJ

O Montepio emprestou 70 milhões de euros sem garantias ao empreiteiro José Guilherme entre 2011 e 2014. O empresário da Amadora ofereceu 14 milhões dessa verba a Ricardo Salgado, outra parte serviu para comprar participações no próprio Montepio, outra ainda, 1,5 milhões, terá sido oferecida a Tomás Correia, ex-líder do Montepio.
Montepio.
Montepio. Foto de Paulete Matos.

Na quinta-feira, a Polícia Judiciária foi bater à porta de José Guilherme e sua família, filho e sogro. Tomás Correia, o ex-dirigente do Montepio, também recebeu a visita de alguns dos 90 inspetores que participaram numa operação que se estendeu ainda por várias outras entidades. Com o Montepio no centro e o BNI Europa, banco angolano, como alvo secundário.

A investigação começou em 2015 e em causa estão créditos sem garantias no valor de 70 milhões de euros atribuídos ao empresário da construção, ao seu filho, ao seu sogro, outros ainda às suas empresas. O veículo destes empréstimo foi o Finibanco Angola, sucursal do Montepio.

O esquema fazia com que parte desse dinheiro servisse para comprar Unidades de Participação num fundo criado pelo próprio Montepio. Com a operação o banco passava a cumprir os rácios exigidos. Todos ficavam assim a ganhar com a manobra que o Ministério Público julga poder-se enquadrar nos crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada.

A constituição do capital social do BNI Europa também está a ser investigada. A sucursal angolana do Montepio abriu um ramo em Portugal e parte do dinheiro terá vindo da mesma fonte. O banco ocultou o nome dos seis investidores que transferiram sete milhões para esse efeito, um dos quais era José Guilherme. Paulo Guilherme, o filho do empreiteiro, recebeu um empréstimo de 38,7 milhões do Finibanco Angola com os quais pagou um prédio e investiu 20 nestas UP. Para o mesmo efeito, Eurico de Brito, o sogro, recebeu 12 milhões e Maria Rodrigues, filha de um empreiteiro amigo de José Guilherme, três.

José Guilherme tinha já surgido nas notícias antes pelas suas ligações a Ricardo Salgado. A este, o empreiteiro ofereceu uma prenda de 14 milhões de euros. Supostamente pelo facto do antigo dirigente do BES ter dado uma dica sobre um negócio em Angola. O dinheiro viria do Montepio. Não surpreende por isso saber que não era só o Montepio que tinha por hábito ser “generoso” com José Guilherme. Também o grupo Espírito Santo lhe emprestava dinheiro abundantemente. A este grupo, o empresário ainda deverá cerca de 100 milhões.

Para além de ser responsável pelos empréstimos sem garantias atribuídos ao empreiteiro, Tomás Correia, antes de sair do Montepio ainda tomou a decisão de reestruturar as dívidas de José Guilherme, estendendo prazos de pagamentos. O antigo líder da Mutualista Montepio está também a ser acusado de ter recebido de José Guilherme 1,5 milhões de euros.

A triangulação entre Ricardo Salgado, Tomás Correia e José Guilherme está sob suspeita em vários casos. Haveria operações cruzadas entre BES e Caixa Económica Montepio Geral. Quando alguns clientes estavam malparados num, o outro permitia créditos.

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