As autoridades mexicanas emitiram vários mandatos de captura depois de terem sido conhecidas as imagens que mostravam os guardas de um centro de detenção de migrantes a saírem enquanto um fogo ocorria e os detidos estavam encerrados sem possibilidade de fuga. Segundo a procuradora Sara Irene Herrerias, são suspeitos de homicídio e estragos à propriedade por não terem atuado de forma a permitir a evacuação do local. “Nenhum dos funcionários públicos ou do pessoal de segurança privada empreendeu qualquer ação para abrir a porta aos migrantes que estavam dentro”, declarou em conferência de imprensa.
Entre os oito acusados, há dois agentes federais e o responsável pela imigração estatal. Os restantes são funcionários de um grupo privado de segurança.
O caso aconteceu na noite da passada segunda-feira. Um incêndio deflagrou nas instalações do centro de detenção do Instituto Nacional de Migração, em Ciudad Juárez, perto da fronteira com os EUA. Dele resultou a morte de pelo menos 39 pessoas de vários países, sobretudo da Guatemala e Honduras, mas também da Venezuela, El Salvador, Colômbia e Equador, e ferimentos noutras 28. A versão avançada pelas autoridades mexicanas é que o incêndio teria sido iniciado por alguns migrantes detidos que pegaram fogo a colchões como forma de protesto pelas deportações.
Pouco depois, foram divulgadas as imagens do circuito de videovigilância que mostravam três guardas presentes no local a abandonar o edifício enquanto o fogo lavra, deixando para trás as vítimas. O governo mexicano já confirmou a veracidade das imagens.
O presidente da República, Andrés Lopez Obrador, declarou que “nada será ocultado e não haverá impunidade” no caso e que os responsáveis por “terem causado esta dolorosa tragédia serão punidos em conformidade com a lei”.
Durante a noite, conta o Guardian, houve uma manifestação de cerca de 400 migrantes em Ciudad Juárez. Mostraram-se fotos e pancartas, cantaram-se os hinos nacionais dos países das vítimas e exigiu-se justiça. Isto apesar dos nomes destas ainda não terem sido tornados públicos e, assim, de vários dos presentes na manifestação não saberem se entre elas se encontram amigos ou familiares seus.
Para além do caso em particular, os migrantes denunciam a xenofobia e a violência das autoridades mexicanas. E também várias organizações de defesa dos direitos humanos têm vindo a criticar o governo do país por cumplicidade com o endurecimento das políticas migratórias dos EUA, destacando mais de 20.000 membros das suas Forças Armadas para a fronteira para travar migrantes.
Em 2022, terão morrido cerca de 900 pessoas a tentar fazer a travessia entre o México e os EUA.