Na sequência de reuniões com o presidente francês e com a diretora geral do FMI, a chanceler alemã anunciou um processo de chantagem dupla sobre a Grécia advertindo o governo de Atenas de que o segundo resgate através da troika será bloqueado se não “acelerar as reformas” com implicações nas contas públicas e se não chegar a acordo com os credores privados. A troika exige, entretanto, o congelamento por três anos dos salários também no sector privado.
As reuniões efetuadas nos últimos dois dias pela senhora Merkel foram motivadas principalmente pela preparação da cimeira europeia de fim de janeiro para adoção do novo tratado da União que implica a instauração da política de austeridade e a perda de soberania nacional sobre as políticas económicas. A situação da Grécia voltou a estar, porém, nos primeiros pontos da ordem dia devido à contínua desconfiança dos mercados financeiros em relação ao futuro do Euro e também porque, segundo citações reproduzidas na comunicação social, o FMI “perdeu a fé” na capacidade de o governo grego resolver o problema da dívida soberana nas condições impostas pela troika, apesar da opção tecnocrática tomada há semanas para substituir Papandreu.
Durante o período da crise a Grécia tem estado permanente sob chantagem feita com base na atribuição ou não das tranches dos resgates de acordo com as análises de comportamento feitas pela troika instalada em Atenas. Desta feita, segundo as palavras da chanceler alemã, o bloqueio abrange a atribuição global do segundo resgate, no valor de 100 mil milhões de euros, cujo processo de discussão e aprovação se prolongou durante meses.
Angela Merkel impõe duas condições: a aplicação das “reformas”, sobretudo a privatização de todo o aparelho público nas áreas que garantam negócios lucrativos; e o estabelecimento do acordo de amortização da dívida com os credores privados.
Ao assumir a posição dos credores privados na questão da dívida grega, a chanceler alemã exerce pressão sobre uma situação em que as partes estão muito afastadas: os bancos rejeitam abdicar de metade da dúvida grega, ao contrário do que já tinham aceite anteriormente no quadro da discussão global envolvendo o Conselho europeu e a troika; e o governo grego, devido à gravidade da situação, reclama o corte de 75 por cento da dívida, em vez de 50 por cento.
Declarações do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaube, reforçaram as pressões da chanceler. Afirmou que é necessário resolver “de forma credível” a questão das contas públicas gregas porque “todos os fundos do mundo juntos não são suficientes” para solucionar o problema.
Jornais gregos anunciaram terça-feira a disposição da troika de exigir o congelamento durante três anos dos salários do sector privado, estendendo assim o universo das medidas de austeridade que são aplicadas ao sector público.
Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.