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Memória: 50 anos da morte de John Steinbeck

O escritor morreu a 20 de dezembro de 1968 com 66 anos. Aclamado em vida, a polémica bateu-lhe recentemente à porta. Em 2012, a CIA revelou que ele se tinha oferecido para dar informações a esta agência. Em 2018 foi a vez de um livro de entrevistas com a ex-mulher colocar em causa a sua imagem.
Foto de Todd Mecklem/Flickr

John Steinbeck ganhou o prémio Pulitzer em 1940 e o Nobel da literatura em 1962. Foi autor de obras emblemáticas da literatura norte-americana como Tortilla Flat, A pérola, As vinhas da Ira, Of mice and men, The winter of our Discontent entre várias outras.

Alguns dos seus livros são ambientados na Califórnia da Grande Depressão iniciada em 1929 e do Dust Bowl, o fenómeno das tempestades de areia que durou quase toda a década de 1930 e que afetou severamente a agricultura local. A miséria dos trabalhadores rurais e a luta pela justiça social ocupam assim lugar central nestes livros.

Na cultura popular, as suas obras obtiveram também reconhecimento através das adaptações cinematográficas. Por exemplo, As vinhas da Ira será transformado em filme por John Ford e A leste do Paraíso por Elia Kazan. Steinbeck foi ainda co-guionista para este realizador do filme Viva Zapata.

Se o reconhecimento literário foi esmagador, a imagem do autor foi recentemente posta em causa. Celebrado pela esquerda, sabia-se há muito inclusive que o autor tinha sido investigado pela CIA. Pelo teor do que escrevia e por várias das suas relações pessoais. Mas em 2012 esta agência publicou documentos nos quais revelava que Steinbeck lhe ofereceu os seus serviços em 1952, enquanto planeava uma viagem à Europa.

Por outro lado, em Setembro deste ano, foi publicado um livro de entrevistas com uma das suas ex-mulheres, material que tinha ficado por publicar durante quatro décadas. Gwyn Conger pinta o retrato pouco abonatório de um homem sádico, alcoólico e com problemas de saúde mental. E afirma: “desde o momento em que John acordava até ao momento em que ia para a cama, eu tinha de ser sua escrava.”

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