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Medicamento anti-parasitário elimina "in vitro" o novo coronavírus

O medicamento ivermectina pode eliminar o novo coronavírus em 48 horas em culturas celulares. A descoberta foi anunciada por uma equipa de investigadores australianos. O próximo desafio é saber "qual a dose humana correta", acrescentam.
Placa de 96 poços para testes in vitro. Fotografia por LambdaCZ/Flickr.

De acordo com os autores do estudo publicado na Antiviral Research e citado este sábado pela agência Lusa, uma dose de ivermectina "pode deter o crescimento do SARS-CoV-2 numa cultura celular, erradicando de maneira efetiva todo o material genético do vírus num prazo de 48 horas".

As provas foram realizadas em culturas celulares e ainda não é possível realizar ensaios em seres humanos, advertem os especialistas da Universidade australiana de Monash, Melbourne. O próximo passo, assinala a universidade em comunicado, "é determinar a dose humana correta".

Segundo Kylie Wagstaff, a responsável principal deste estudo, "apenas uma dose pode eliminar todo o ARN viral em 48 horas e que em 24 horas já se nota uma redução significativa", nos ensaios in vitro. "Nos tempos em que vivemos - de pandemia - e em que não existe um tratamento aprovado, se tivéssemos um composto que já estivesse disponível em todo o mundo, as pessoas poderiam ser ajudadas. Mas sendo realistas vai ser preciso tempo para que uma vacina esteja amplamente disponível", disse a investigadora.  

Apesar de ainda não se compreender qual o mecanismo com que a ivermectina atua no coronavírus, tendo em conta a sua ação em outros vírus, "é provável que funcione para deter a capacidade do vírus e de travar a capacidade das células para o eliminar", disse ainda Wagstaff. 

Este fármaco, aprovado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) já demonstrou ser eficaz "in vitro" contra uma "ampla gama de vírus", incluindo o VIH, o dengue, a gripe e o vírus Zika.

O uso da ivermectina para combater a covid-19 depende das provas pré-clínicas e dos ensaios clínicos. Para isso, a universidade "necessita urgentemente de financiamento para avançar com o trabalho".

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