MC Snake: há provas do disparo intencional da polícia

22 de junho 2010 - 16:06

Uma gravação do 112 vem provar o carácter intencional dos disparos mortais. O agente da polícia, já acusado de homicídio, qualificado terá mentido ao Ministério Público quando falou em disparo acidental.

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A acusação confirma também que o rapper não chegou a desobedecer à ordem de paragem numa operação stop nas Docas de Alcântara, como sustentava a primeira reacção da PSP logo após o crime e os documentos do carro encontrados junto ao cadáver encontravam-se em ordem.

Aquando da restituição do incidente que culminou com o assassinato de Nuno Rodrigues (MC Snake), na madrugada de 15 de Março, o agente Moreira (posteriormente acusado por homicídio qualificado pelo DIAP) terá dito à Polícia Judiciária (PJ) que o seu segundo e último disparo, mortal, foi acidental e em corrida atrás do LanciaY10, onde seguia o rapper em suposta fuga pelas ruas de Lisboa. O primeiro tiro foi assumido pelo agente como intencional, sim, mas “para o ar”.

No entanto, segundo adianta o Correio da Manhã (CM), existe uma gravação áudio do 112 onde se ouvem três tiros, um primeiro e posteriormente dois seguidos, desmentindo a versão do agente da PSP.

Tudo indica que o agente Moreira terá feito pontaria ao carro, uma vez até que o tiro sequencial é treinado pela polícia e revela “uma intenção clara de disparar”, explicaram fontes policiais ao CM.

Uma falha nas comunicações por rádio, durante a perseguição, fez com que a PSP recorresse à linha de emergência do 112 e esta grava tudo. A gravação revela que após o primeiro disparo, o agente fez outros dois, seguidos, indicando que não estava em movimento – elementos que desmentem a versão feita pelo agente da PSP que assim foi apanhado a mentir à PJ.

A acusação do DIAP, assinada pelo procurador Carlos Figueiredo, enunciado depois da investigação da Secção de Homicídios da PJ, é de homicídio qualificado e representa uma pena possível de 16 a 25 anos de cadeia.



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