Faleceu no dia 11 de fevereiro Maria José Vicente. Nascida em Lisboa em 1941, dedicou-se ao ensino, trabalhando 16 anos no Colégio Valsassina. Ali conheceu o marido, militante comunista expulso do ensino oficial e que esteve cinco anos e meio preso em Peniche, tendo passado pelas prisões de Caxias e do Aljube.
Maria José Vicente começou a interessar-se pela atividade política com a Revolta da Sé, em 1959, uma tentativa de golpe militar fracassada contra a ditadura. ingressou no PCP em 1972 e acolheu em casa militantes perseguidas pela PIDE, como a filha do histórico dirigente Dias Lourenço.
Quando acontece a Revolução do 25 de Abril, Maria José e o marido estavam numa lista de pessoas que a PIDE se preparava para deter, após um camarada ter apontado os seus nomes num interrogatório. Esteve no RALIS no 11 de Março a apoiar Dinis de Almeida. “Os aviões sobrevoavam a minha cabeça. Não havia medo. Havia a certeza de que a revolução não podia fracassar”, lembrou num texto escrito para a comemoração dos 50 anos da Revolução.
Em comunicado, o núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Maria José Vicente, “uma mulher de coragem e de convicções firmes, cuja vida ficou marcada pela luta pela liberdade e pela democracia”.
Em Miranda do Corvo, Maria José Vicente associou o seu percurso ao Bloco de Esquerda, integrando as listas às autárquicas e assumindo o papel de mandatária em 2017 e 2021. “Mesmo quando a saúde já não lhe permitiu a sua presença nas últimas autárquicas, continuou a ser uma referência e uma simpatizante empenhada. Foi um privilégio contar com a sua confiança e com a sua amizade”, afirma a concelhia bloquista.
O Esquerda.net e o Bloco de Esquerda endereçam sentidas condolências aos familiares e amigos de Maria Jose Vicente.