Segundo a agência Lusa, e apesar de tanto a CP como os maquinistas terem demonstrado disponibilidade para se sentarem à mesa das negociações, a reunião convocada pela CP para as 19h desta quinta-feira não foi capaz de evitar a greve com início previsto para a meia-noite.
A porta-voz da CP, Ana Portela, teria afirmado à Lusa que já havia sido garantido ao sindicato que apenas os processos disciplinares que a empresa entendesse padecerem de irregularidades seriam arquivados. O Sindicato dos Maquinistas veio anunciar, após a reunião, que irá manter a greve na medida em que não aceita a nova proposta apresentada pela empresa.
Aquando da apresentação do pré-aviso de greve, o presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) esclareceu que os trabalhadores tomaram a decisão de convocar a greve porque, “ao arrepio do acordo assinado, em que sanava todo o conflito e criava as condições para a paz social na empresa”, a administração da empresa “desencadeou de forma absurda, sem justificação e de forma ilegal, procedimentos disciplinares”.
António Medeiros classificou esta tomada de posição como uma “ofensa e um confronto declarado aos maquinistas e ao sindicato nunca antes vistos”, sendo que os maquinistas estão a ser “perseguidos e alvo de processos disciplinares inventados e forjados”.
Dois destes processos disciplinares dizem respeito, segundo o pré-aviso divulgado pelo SMAQ, à greve geral de 24 de novembro de 2010, cujas sanções ultrapassarão os 620 dias de suspensão.
A greve é ainda convocada em sinal de “repúdio das políticas de desmantelamento do Caminho de Ferro e anulação dos postos de trabalho” e das "condições de prestação de trabalho e repouso/alojamento dos maquinistas", entre outros.
Administração ameaça trabalhadores
Segundo noticiou o Diário de Notícias, a administração da CP terá advertido a Comissão de Trabalhadores de que o pagamento de despesas correntes, como os salários, estará em risco caso as acções de protesto continuem.