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Manifestação em Lisboa exige libertação imediata dos presos políticos catalães

Dezenas de pessoas concentraram-se em frente ao consulado de Espanha, em Lisboa, para manifestar a sua solidariedade com a luta do povo catalão. Bloco vai apresentar voto na Assembleia da República pela libertação dos presos políticos.
Manifestação pela "Liberdade dos Presos Políticos da Catalunha" organizada pelo Comité de Defesa da República Catalã em Lisboa, em frente ao Consulado de Espanha, 26 de março 2018. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Várias dezenas de pessoas concentraram-se esta segunda-feira junto ao Consulado de Espanha em Lisboa para exigir a “libertação dos presos políticos” da Catalunha, considerando que existe uma “judicialização” dos acontecimentos.

“Defendemos a libertação dos presos políticos, pelo facto não ter fundamento jurídico nas acusações e o nosso comité nasce da indignação de catalães e portugueses com ligações à Catalunha. Depois do que aconteceu na sexta-feira, resolvemos convocar esta concentração”, disse Catarina Oliveira, do recém-criado Comité de Defesa da República Catalã em Lisboa.

Os manifestantes concentraram-se junto ao consulado com uma faixa e vários cartazes a defender a “Liberdade dos Presos Políticos”, entoando vários cânticos de apoio aos dirigentes independentistas, contra a repressão espanhola e a pedir a demissão de Mariano Rajoy.

“O crime de rebelião no regime jurídico espanhol implica violência, o que não ocorreu. Todo o movimento independentista catalão tem sido um movimento pacífico. Houve uma judicialização destes acontecimentos e nunca houve uma tentativa de resolver este conflito de forma política”, afirmou a porta-voz do comité.

A responsável referiu que “compreende” a posição do governo português, mas lembra que a Constituição portuguesa defende a “autodeterminação dos povos”. Presentes na concentração estiveram também vários dirigentes e deputados do Bloco de Esquerda, referindo que estão solidários porque está é uma questão de “autodeterminação e do direito de os cidadãos decidirem o rumo da sua região”.

“Existem 13 presos políticos em território europeu. É inaceitável e inacreditável que não exista uma tomada de posição séria sobre o que o Estado espanhol está a fazer e temos visto muita violência da polícia sobre manifestações pacíficas. Foram eleitos livremente, só podemos estar solidários e fazer pressão para que existe uma posição dos vários governos e parlamentos”, defendeu a deputada bloquista Isabel Pires.

A deputada acrescentou que a União Europeia e o Parlamento Europeu “ainda não tiveram uma palavra forte” sobre o que se está a passar na Catalunha, anunciando que na quinta-feira vão apresentar um voto no parlamento para “apelar à libertação dos presos políticos”.

O líder independentista catalão Carles Puigdemont, detido na Alemanha no domingo, vai permanecer em prisão preventiva, indicou hoje à agência AFP uma porta-voz do tribunal.

O tribunal de Neumunster, no norte da Alemanha, tinha que decidir se Puigdemont permanecia ou não em prisão preventiva enquanto está em análise o pedido de extradição para Espanha.

Puigdemont vai “continuar em detenção, até que seja tomada uma decisão sobre o processo de extradição”, indicou, por seu lado, em comunicado, o tribunal regional de Kiel, também na região do norte da Alemanha. Esta decisão “não tem recurso”, acrescentou-se no texto.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal espanhol acusou de delito de rebelião 13 separatistas pela sua participação no processo de independência da Catalunha, entre os quais o ex-presidente do executivo regional Carles Puigdemont.

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