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Maior icebergue do mundo está em rota de colisão para um desastre ambiental

O A68a é maior do que o Luxemburgo. Soltou-se da Antártica em 2017 e está agora perto da ilha da Geórgia do Sul. Esta não é habitada, mas a sua vida selvagem fica em risco.
Imagem de satélite do A68a em 5 de julho de 2020. Foto da Agência Espacial Europeia/wikimedia commons.
Imagem de satélite do A68a em 5 de julho de 2020. Foto da Agência Espacial Europeia/wikimedia commons.

Pinguins e focas são os habitantes de maiores dimensões da ilha Atlântica da Geórgia do Sul. A sua vida está ameaçada porque um icebergue de grandes dimensões, o A68a, está em rota de colisão com o seu habitat. Há cientistas que alertam para a possibilidade de uma catástrofe ambiental.

Este icebergue é maior do que países como Singapura ou o Luxemburgo. E é o sexto maior a separar-se de um glaciar em 34 anos.

A viagem do A68a começou em julho de 2017 quando se separou da península Larsen C na Antártica. Passados dois anos, foi apanhado pela corrente circo-polar do Antártico. A sua lenta viagem ganhou velocidade. Ao longo dela, o icebergue foi perdendo tamanho até atingir os 4.200 quilómetros quadrados mas, ao contrário de outros, não se quebrou na totalidade. Agora, diz à Reuters o biólogo oceanográfico Geraint Tarling, da British Antarctic Survey, está a “menos de 50 quilómetros” daquela ilha do Atlântico sul sob administração britânica. E o cenário de uma colisão poderá acontecer em breve.

Tarling e outros biólogos alertam que a vida subaquática será a primeira a ser atingida fortemente. Depois, se a massa de gelo embater na ilha, uma possibilidade dada a sua profundidade não ser muita, poderá ficar alojada nas suas costas durante cerca de dez anos. Muitos dos dois milhões de pinguins de várias espécies que aí habitam ficariam impedidos de chegar às águas e alimentar as crias. Por outro lado, o degelo do icebergue nas imediações da ilha iria destruir o ambiente marinho para o fitoplâncton e outras criaturas marinhas que são parte importante da cadeia alimentar da região, que ficaria toda ela posta em causa.

À mesma agência noticiosa, Norman Ratcliffe, especialista em aves marinhas, detalha um dos problemas. Os pinguins Rei, por exemplo, passam 16 dias em viagem, armazenando comida no estômago que depois regurgitam para alimentar as suas crias. Se esta viagem se prolongar, as crias enfrentariam fome. E o pior é que esta fase pode coincidir com o choque do icebergue. Imediatamente, estima, poderia estar em causa 10% destes exemplares. E os pinguins Gentoo, por sua vez, podem estar perante uma “completa falência da colónia se as condições forem pobres”.

Para as focas será mais fácil, uma vez que podem alimentar com leite as crias.

As temperaturas na Antártica têm vindo a subir a um ritmo três vezes maior do que a média global nas últimas três décadas. Se o seu gelo derretesse, apenas esta zona seria responsável por um aumento do nível do mar de 2.5 metros.

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