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Maior barreira de coral do mundo sofre nova vaga de destruição

O fenómeno acontecia uma vez em cada 30 anos, mas nos últimos cinco já ocorreu três vezes. Localizada na Austrália, tem um terço da sua área severamente afetada.

A grande barreira de coral australiana está sob uma nova vaga de branqueamento de corais, um fenómeno destruidor deste ecossistema, que resulta da libertação de algas simbióticas que dão cor e sustentabilidade ao sistema de corais. Nos últimos cinco anos este fenómeno ocorreu três vezes em grande escala, o que representa um grande agravamento, dado que até ao início da década de 1980 a sua frequência era de um evento em cada 25 a 30 anos, segundo um artigo da Science de 2018.

As autoridades australianas lançaram esta quinta-feira um vídeo que dá conta da situação atual. Cerca de um terço da barreira teve branqueamentos severos, outro terço moderados e o restante não sofreu branqueamento ou teve branqueamentos ligeiros, não tendo os especialistas identificado nenhum padrão consistente na sua distribuição em termos de proximidade à costa ou de latitude.

As alterações climáticas têm vários impactos negativos sobre os ecossistemas marinhos, resultantes da subida dos níveis médios das águas do mar, mas também da subida das temperaturas médias e da crescente acidificação, com consequências dramáticas para os sistemas de coral e a sua biodiversidade. Dependendo da intensidade do fenómeno, muitos corais não conseguirão recuperar.

Trata-se de um ecossistema marinho que percorre cerca de 2.400 km do Oceano Pacífico, na costa leste da Austrália e é o maior complexo de recifes de coral do mundo, reconhecido como património mundial da UNESCO. A sua destruição tem impactos altíssimos do ponto de vista ecológico, mas também social e económico, dado o vasto conjunto de atividades humanas que o mesmo suporta, desde a produção e captura de alimentos ao lazer.

Segundo o relatório especial do IPCC sobre o oceano e a criosfera num clima em mudança (2019), se a temperatura média das águas do mar subir 1,5ºC comparativamente ao período pré-industrial, os recifes manterão alguma capacidade de recuperação, embora limitada, mas se atingir os 2ºC a recuperação será impossível em muitos locais. Segundo o mesmo relatório, as piores projeções da temperatura média à superfície do mar apontam para um aquecimento de 3,7ºC e a projeção mais otimista 1ºC (ver aqui).

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