Lutas

Lisboa e Porto manifestaram‑se contra a guerra

14 de março 2026 - 17:45

Milhares de pessoas saíram às ruas de Lisboa e Porto este sábado para protestar contra a guerra. José Manuel Pureza diz que se o Governo não controlar os preços dos bens essenciais, “vai haver um imposto de guerra pago por quem trabalha”.

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Manifestação no Porto
Manifestação no Porto. Foto de Pedro Faria

As manifestações “Paz, Soberania e Solidariedade! Fim às ameaças e às agressões dos EUA!” em Lisboa e no Porto trouxeram alguns milhares de pessoas às ruas de Lisboa e do Porto. Apesar da chuva durante os trajetos nas duas cidades, os manifestantes fizeram ouvir bem alto palavras de ordem como “Paz sim, guerra não” ou “Com mais armas só andamos para trás”, além de slogans contra o genocídio na Palestina.

Manifestação no Porto.
Manifestação no Porto. Foto de Leonardo Faria.

Neste protesto convocado pelo CPPC, CGTP e dezenas de organizações sociais e sindicais, as faixas e os cartazes mostravam a oposição ao ataque iniciado há duas semanas contra o Irão por parte dos EUA e Israel, mas também críticas às ingerências dos EUA em Venezuela e em Cuba ou ao genocídio do povo palestiniano na Faixa de Gaza.

Na primeira fila da manifestação em Lisboa, um dos organizadores afirmou que o protesto visa “dar voz à indignação” contra a guerra que atinge agora o Irão e o Líbano, “ao mesmo tempo que continua o genocídio do povo palestino”. Os ataques dos EUA e de Israel fazem aumentar o “risco de arrastar a humanidade para um confronto de proporções que ninguém pode prever”, prosseguiu, exigindo que “Portugal não seja envolvido nesta guerra e que pare a cumplicidade do governo português com os planos agressivos dos EUA e Israel”.

Manifestação em Lisboa
Manifestação em Lisboa. Foto de Rafael Medeiros.

Sem controlo de preços, “vai haver um imposto de guerra pago por quem trabalha”

O Bloco de Esquerda participou em ambas as manifestações e o seu coordenador esteve na de Lisboa para sublinhar que “é absolutamente indispensável que nos juntemos e haja vozes fortes para parar a espiral deste guerra que se está a autoalimentar a cada hora que passa”.

“Quem está a pagar esta guerra são aquelas pessoas que já têm uma vida aflita e de sobrevivência e que estão confrontadas com a subida dos preços dos combustíveis e dos bens essenciais. Esta guerra está a trazer a vida da grande maioria das pessoas para um patamar absolutamente insuportável”, prosseguiu Jose Manuel Pureza, antes de deixar dois desafios ao governo português.

Faixa do Bloco de Esquerda na manifestação de Lisboa
Faixa do Bloco de Esquerda na manifestação de Lisboa. Rafael Medeiros

“A primeira coisa que o Governo pode fazer é não emprestar o território nacional para alimentar esta guerra, é demarcar-se desta guerra com coragem, como outros estadistas nossos vizinhos têm feito. E em segundo lugar deve cuidar dos efeitos devastadores do custo de vida que decorre desta guerra: controlar o preço dos combustíveis, tabelar o preço dos bens essenciais, porque sem isso vai haver um imposto de guerra que vai ser pago por quem trabalha”.

Questionado pelos jornalistas sobre se Cuba pode vir a ser o próximo alvo de Donald Trump, Pureza respondeu que não faz vaticínios mas tem uma certeza: “o homem que diz querer ser Nobel da Paz não faz outra coisa dia após dia senão espalhar a guerra por todo o planeta”.