O nome da dirigente da Frente Nacional francesa — o partido de extrema-direita que no ano passado mudou de nome para União Nacional — foi colocado na lista de oradores nas conferências da conferência internacional de tecnologia. A escolha da organização da Web Summit gerou muitos protestos nas redes sociais e durante algumas horas Marine Le Pen deixou mesmo de constar no site oficial deste encontro anual que volta a realizar-se em Lisboa de 5 a 8 de novembro.
O reaparecimento de Le Pen enquanto convidada da Web Summit leva a associação SOS Racismo a questionar-se sobre “que estratégia de marketing servem estes avanços e recuos”, que se fazem acompanhar do silêncio dos promotores da conferência. “Se o silêncio das entidades envolvidas até aqui já era inaceitável, agora com esta reviravolta, ele tornou-se insustentável”, defendeu a associação num comunicado a imprensa, exigindo que o governo e a Câmara de Lisboa tomem posição, mas também as restantes entidades envolvidas no apoio à organização do evento, dando os exemplos da Santa Casa da Misericórdia, a EDP, a Via Verde, a Universidade Católica.
“Não se trata de escolher entre liberdade de expressão e censura, mas sim, entre a democracia e o ódio racial. O racismo não é uma opinião”, afirma a SOS Racismo.
“Convém salientar que apesar do re-branding da Frente Nacional, as suas ideias de um estado securitário, fechado, nacionalista e racista mantêm-se. Não podemos dar palco a esta narrativa, nem contribuir para o branqueamento da sua imagem, quanto mais num encontro que se quer globalizado e aberto como este”, refere a SOS Racismo, sublinhando os apoios públicos que calcula em “cerca de 1.3 milhões de euros por ano, repartido por várias entidades públicas”.
“Não podemos admitir que o erário público contribua para a vinda de uma figura do nazi-fascismo europeu, independentemente de tudo e, muito menos, numa altura em que o próprio estado pelas recentes noticias tem-se mostrado preocupado com a reorganização da extrema-direita em Portugal”, prossegue o comunicado da associação antirracista. “Será que o Web Summit e as entidades públicas e privadas envolvidas querem contribuir para transformar este evento numa apologia da extrema direita racista?”, questiona.