As cheias na Eslovénia afetaram um dos fornecedores de peças da Autoeuropa. Por isso, a fábrica de Palmela suspendeu a produção entre 11 de setembro e 12 novembro, ficando os trabalhadores no regime de layoff durante nove semanas. Ficando assim a empresa obrigada a pagar, no mínimo, dois terços do salário ilíquido ou o valor equivalente ao salário mínimo, até ao limite de 2.280 euros. Antes, a 9 e 10 de setembro, a administração aplicará o sistema chamado de down days.
A Comissão de Trabalhadores da fábrica vai discutir na próxima segunda e terça-feira as condições financeiras deste layoff. Em comunicado, diz que “a empresa tem todas as condições para garantir esses rendimentos [dos trabalhadores], valorizando desta forma o esforço feito por todos”.
Esta sexta-feira, Rogério Nogueira, coordenador desta CT, confirmou que há “uma comunicação interna em que a empresa manifesta a intenção de rescindir os contratos com os cerca de 100 trabalhadores temporários”, assegurando nas reuniões da próxima semana “total empenho para que também sejam encontradas soluções alternativas para os trabalhadores temporários, que não passem pela rescisão dos contratos”.
O SITE Sul alerta também que a Autoeuropa deve garantir “emprego, salário e direitos” e exige que a administração “recorra no imediato aos down days, salientando que se trata de soluções internas acordadas, que preveem o pagamento dos salários na sua totalidade a todos os trabalhadores”. Para além disso, direitos, como o subsídio de refeição e o prémio de assiduidade deveriam também ser assegurados.
O impacto da paragem de produção não se limitará apenas à Autoeuropa. Este será também “bastante significativo em muitos dos fornecedores” do Parque Industrial que a abastece. Daniel Bernardino, coordenador das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa, explica que há aí empresas que não têm mecanismos de flexibilidade como os down days e que “vão enfrentar uma situação mais complicada”.
Para ele, os “trabalhadores temporários e os contratados poderão vir a ser os mais afetados pela paragem de produção na fábrica de automóveis”. Os trabalhadores vincam assim que “é preciso encontrar algumas soluções para estes trabalhadores temporários e contratados, porque todos eles representam famílias, mas também para os trabalhadores efetivos das empresas do parque industrial da Autoeuropa, porque todos estamos numa situação complicada”.