Jovens seguidos em saúde mental interrompem tratamento por falta de dinheiro

05 de outubro 2014 - 16:00

Famílias não têm dinheiro para pagar os remédios ou a deslocação às consultas. O alerta parte da pedopsiquiatra Paula Vilariça, responsável pela consulta de adolescência no Centro Hospitalar Lisboa Central, onde têm chegado algumas situações destas.

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"Há fármacos muito caros e algumas famílias não conseguem arcar com as despesas da medicação. Os miúdos entram em descompensação por causa disso", afirmou a pedopsiquiatra em declarações ao jornal Sol.

Como exemplo, Paula Vilariça referiu os tratamentos para a hiperactividade, cujo custo mensal pode ascender aos 70 euros.

A responsável pela consulta de adolescência no Centro Hospitalar Lisboa Central lembrou ainda que muitos jovens seguidos em saúde mental têm consultas regulares mas estão a faltar porque as famílias não conseguem fazer face aos custos associados ao transporte.

"Não têm dinheiro para os transportes ou dizem que não podem faltar ao trabalho para acompanharem os filhos. Isto acaba por diminuir a eficácia dos tratamentos", alertou.

Segundo a especialista, a crise reflete-se ainda na marcação de consultas: "Tentam adiar para mais tarde por estas razões económicas ou relacionadas com o trabalho".

Crise agrava problemática da saúde mental em Portugal

Os peritos portugueses têm vindo a alertar para o agravamento da problemática da saúde mental em Portugal.

O Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM), elaborado pela Direção Geral de Saúde, e divulgado em setembro de 2012, refere que "a crise financeira que vivemos vai ter seguramente impactos muito significativos na saúde mental das populações", sendo "plausível a ocorrência de um aumento da prevalência de algumas doenças mentais, assim como o aumento da taxa de suicídio em alguns setores da população".

A Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares, alertou, por outro lado, que a crise poderia contribuir para o aumento de algumas doenças mentais e tentativas de suicídio, na medida em que muitos doentes deixaram de ter dinheiro para os medicamentos, levando ao agravamento dos respetivos quadros clínicos.