Republicano, anti-franquista, prisioneiro do campo de concentração alemão de Buchenwald entre os 20 e os 22 anos, comunista expulso do PCE nos anos sessenta no consulado de Santiago Carrilho, ministro da Cultura de Felipe Gonzalez entre 1989 e 1991, eterno exilado que nunca deixou de ter a nacionalidade espanhola, Semprún transformou a riqueza das suas memórias em poderosas obras literárias através das quais se revive todo o século XX.
O exílio iniciou-se durante a Guerra Civil, quando se juntou na Holanda ao pai que era o embaixador da República neste país. “Adiós, Luz de Veranos”, reflecte esse período da sua existência, seguindo-se a luta anti-franquista e anti-fascista que o levou à detenção em Buchenwald já como militante do Partido Comunista de Espanha. Os livros que correspondem a essa fase são “El Largo Viaje”, “Viviré com su nombre, morirá com el mio”, “Aquel domingo” e “La escritura o la vida”, considerada a sua obra mais importante.
“Autobiografia de Federico Sánchez”, com o qual ganhou o prémio Planeta em 1977, centra-se na sua experiência comunista até ser expulso do PCE em 1964 por discordância com a linha dominante de Dolores Ibarrúri e Santiago Carrilho. Mais tarde escreveu “Federico Sánches se despide de ustedes” aflorando as peripécias como ministro da Cultura no segundo mandato de Felipe González, onde rapidamente entrou em choque com o aparelho do PSOE, principalmente através do vice-presidente Alfonso Guerra.
No domínio da ficção os seus biógrafos salientam “La Montaña Blanca”, “Netchaiev há vuelto”, “Vinte años y um día”.
Jorge Semprún não ganhou nunca o Prémio Cervantes por não escrever mais em castelhano; e não foi admitido na Academia Francesa por ter mantido a nacionalidade espanhola apesar de ter passado a sua vida em Paris. Era um defensor da construção europeia.
Em Abril de 2010 visitou pela última vez Buchenwald. Um campo que encheu as suas memórias, como expressou numa entrevista a El País: “Sabe o que é o mais importante de ter passado por um campo? Sabe exactamente o que é? Sabe que o mais importante e mais terrível é a única coisa que não se consegue explicar? O cheiro a carne queimada. Que fazer com a recordação do cheiro a carne queimada?”
Artigo publicado no site do Grupo Parlamentar Europeu do Bloco de Esquerda.