JMJ: Cartaz que lembra as vítimas de abusos sexuais na Igreja censurado em Algés

02 de agosto 2023 - 17:32

Um grupo de cidadãos tinha-se mobilizado para fazer três outdoors que lembravam as mais de 4.800 crianças abusadas por membros da Igreja Católica. O colocado em Algés foi retirado. A vereadora independente Carla Castelo exige explicações.

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Cartaz sobre vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica tapado.
Cartaz sobre vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica tapado.

Ao longo das últimas semanas, através do Twitter, um grupo de cidadãos mobilizou-se para fazer três outdoors, pensados como um memorial às vítimas de abusos sexuais por membros da Igreja Católica, numa altura em que a Jornada Mundial da Juventude se celebra em Lisboa e em que o Papa visita o país.

A iniciativa nasceu no Twitter e começou apenas com a expetativa de passar a mensagem pelas redes sociais. Depois veio a ideia de fazer um cartaz de tamanho gigante para afixar na 2ª Circular em Lisboa. Para isso criou-se um “crowdfunding” e a iniciativa foi um sucesso. Cerca de 300 pessoas contribuíram em poucos dias e foi assim possível criar três outdoors, em Algés, na Alameda, em Lisboa, e em Loures. Os cartazes, escritos em inglês e com as letras das cores da bandeira nacional, faziam referência às mais de 4.800 crianças abusadas no seio da Igreja Católica: “4.800+ Children Abused by the Catolic Church in Portugal”. Cada uma das crianças é representada por um ponto vermelho colocado ao lado das letras.

Junto com este processo foi feita a página This Is Our Memorial onde constam ainda contactos de associações de apoio a vítimas de abuso sexual.

Esta quarta-feira, um dos cartazes, colocado em Algés, no concelho de Oeiras foi retirado revelou Telma Tavares, designer e uma das promotoras da iniciativa.

Os problemas para fazer passar a mensagem através destes cartazes tinha começado logo, tinha explicado no Twitter, com as empresas que podiam colocar os cartazes a não aceitar a encomenda. Finalmente conseguiram que duas empresas aceitassem mas, explica, houve uma que depois de já ter aceitado a adjudicação da impressão e colocação dos cartazes se recusou a avançar alegando que estes seriam ilegais porque estavam escritos em inglês, tendo Telma Tavares desmentido que tal seja ilegal, porque seriam “anti-religiosos” o que violaria a política da empresa, e porque não teria disponibilidade de pessoal.

A vereadora independente eleita pela coligação Evoluir Oeiras, Carla Castelo reagiu nas suas redes sociais questionando diretamente o presidente desta autarquia, Isaltino Morais. Para ela, “ocultar esta mensagem que recorda as vítimas dos crimes sexuais no seio da Igreja Católica é Censura”.

Já antes deste cartaz ter sido censurado, a vereadora tinha publicado uma mensagem nas redes sociais em que se podia ler “Pelas vítimas, com toda a empatia e respeito que merecem. Que a Igreja Católica, ou qualquer outra instituição, nunca mais permita e esconda crimes sexuais contra crianças e jovens. Celebrar o Amor é também dar voz ao silêncio. Obrigada a quem teve a iniciativa”.