Japão pede desculpa pelo sofrimento causado na II Guerra

15 de agosto 2010 - 17:18

Numa cerimónia que assinalou o 65º aniversário da rendição japonesa, o primeiro-ministro pediu perdão aos países que sofreram as consequências do belicismo nipónico.

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A rendição formal viria a ser assinada a 2 de Setembro, a bordo do USS Missouri, pelo general japonês Yoshijiro Umezu sob o olhar do homólogo norte-americano MacArthur (ao microfone). Foto Marinha dos EUA.

"Sentimos um profundo remorso", afirmou Naoto Kan a uma plateia de seis mil pessoas no estádio Budokan de Tóquio, onde decorreu a cerimónia para recordar também os mais de três milhões de japoneses, militares e civis, mortos na II Guerra Mundial. "Durante a guerra, o Japão infligiu danos e dores significativos a muitos países, especialmente aos povos dos países da Ásia", acrescentou Kan.



Foi a 15 de Agosto de 1945 que o imperador Hirohito anunciou a rendição incondicional das tropas japonesas aos Aliados, na semana seguinte aos bombardeamentos atómicos norte-americanos das cidades de Hiroshima e Nagasaki. Nesse dia terminava também a ocupação militar japonesa da Coreia, à qual o actual primeiro-ministro já tinha pedido desculpas na semana passada.



65 anos depois, o filho de Hirohito esteve presente na cerimónia e após o minuto de silêncio em memória das vítimas manifestou-se esperançado "em que o horror da guerra não se repita".  



Tanto o imperador Akihito como os governantes japoneses não participaram noutra homenagem aos mortos japoneses na II Guerra, no santuário de Yasukuni. Tratou-se da primeira vez em 25 anos que o governo esteve ausente duma cerimónia num local visto pelos países vizinhos como um símbolo do nacionalismo japonês e onde se preta homenagem a 14 condenados por crimes de guerra. Vários dirigentes da extrema-direita mundial estiveram presentes, entre eles Jean Marie Le Pen, que está no Japão a participar num encontro internacional neo-fascista.