Itália: Nova Aliança de Centro Esquerda ensombrada pela austeridade e homofobia

01 de agosto 2012 - 16:43

O encontro desta quarta feira entre o líder do Partido Democrático, maior partido da oposição parlamentar, e o mediático Nichi Vendola, governador da Puglia e líder da SEL (Esquerda Ecologia e Liberdade) deixou mais próxima uma aliança entre estas duas forças partidárias para as eleições gerais de 2013.

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Nichi Vendola, foto de Sinistra Ecologia Libertà/flickr.

A plataforma em preparação pretende, segundo declarações de Vendola ao diário La Reppublica, “criar o sujeito fundador de uma alternativa de centro esquerda, centrado nos direitos sociais e civis” e que “seja um ponto de viragem numa Itália vampirizada por Berlosconi”.

O líder da SEL adiantou ainda àquele jornal que o seu partido irá apresentar um documento programático próprio para contrapor à carta de intenções apresentada pelo PD e fazer avançar a discussão do acordo entre as duas forças.

Nesta carta de intenções, além de abrir portas ao casamento gay, o PD reafirma a lealdade a Mário Monti, primeiro ministro do “governo técnico” que substituiu o executivo de Berlusconi e que está a aplicar um extenso plano de austeridade e desregulação do mercado laboral.

Se era de esperar um acordo entre PD, herdeiro da linha social democrata do velho PCI, e SEL, que enquadrou militantes saídos da Refundação Comunista (próximos de Fausto Bertinoti) após a hecatombe eleitoral de 2008, as grandes novidades deste encontro parecem ser a abertura da plataforma à UDC, de centro direita, e o acentuar da rota de afastamento da IDV, de centro esquerda, de todo este processo.

Com origem na Democracia Cristã, força que, juntamente com o PSI e PCI, dominou a política italiana até ao da Forza Itália em 1992, a UDC é portadora de uma agenda conservadora e participou no governo populista de Berlusconi. Recentemente, o seu líder Piero Casini considerou o casamento gay como uma incivilidade. Vendola, assumidamente gay, já desmentiu abertura a tal acordo, mas as afirmações feitas depois do convénio com o PD alimentam a dúvida.

Quanto à posição da IDV, é feito em coerência com a oposição que este partido tem feito ao executivo de Mário Monti e à política de austeridade e é classificada por Vendola como “propagandista”. Este pequeno partido, conduzido por um ex juiz anti máfia e que em Junho havia firmado um pré-acordo com a SEL, tem sido a única voz no parlamento a contestar legalidade do governo técnico e a constitucionalidade de muitas das suas medidas, nomeadamente a alteração das leis do trabalho, apoiadas pelo PD.