O arcebispo de Nápoles, cardeal Crescenzio Sepe, e Pietro Lunardi, membro do partido de Berlusconi e ex-ministro italiano das Infraestruturas e Transportes entre 2001 e 2006, são suspeitos num vasto processo de uma rede de corrupção para obter contratos de obras públicas.
Os magistrados de Perugia investigam o arcebispo de Nápoles pela reestruturação e venda de imóveis em 2004 e 2005 pertencentes à Congregação da Santa Sé para a Evangelização dos Povos, da qual ele era prefeito. Em 2004 o ex-ministro adquiriu à congregação um edifício em Roma, por um preço muito baixo. Em 2005, o ex-ministro Lunardi atribuíu fundos para a reestruturação de edifícios históricos da Igreja Católica, incluindo o palácio do século XVII onde funciona a sede da congregação. O cardeal Sepe poderá ter ganho 2,5 milhões de euros, nos cinco anos em que foi prefeito da congregação, segundo a imprensa italiana.
A investigação deste processo, que agora envolve o cardeal e o ex-ministro, começou quando magistrados de Florença realizaram escutas telefónicas devido a irregularidades na urbanização de uma área da cidade, que levaram à investigação de Guido Bertolaso, chefe da protecção civil, e que implicaram um arquitecto que ia encarregar-se das obras para a cimeira do G8. Graças à escuta ao arquitecto os investigadores começaram a analisar a concessão de obras relacionadas com a cimeira do G8, nas quais concluíram que houve um aumento ilegal de custos.
A rede envolve o empresário romano Diego Anemone e o ex-presidente do Conselho de Obras Públicas, Angelo Balducci, que estão presos desde Fevereiro passado. As suspeitas sobre o cardeal Sepe ligam-no aos negócios ilegais do empresário Anemone.
Os investigadores descobriram também que Anemone facilitou favores sexuais de prostitutas a Bertolaso, em troca de benefícios na preparação da cimeira do G8, assim como outras irregularidades na organização do Campeonato Mundial de Natação em Roma no Verão de 2009.
A investigação desta rede levou em 4 de Maio passado à demissão do ministro do Desenvolvimento Económico de Itália, Claudio Scajola, pela hipotética compra do apartamento em que vivia em Roma com dinheiro de Anemone, proveniente de operações ilícitas.