O presidente da Câmara de Jerusalém, Nir Barkat, pediu ao comité a aprovação do projecto, que afecta casas palestinianas do bairro de Al-Bustan, uma decisão que pode fazer aumentar a tensão entre palestinianos e israelitas, dada a atitude prepotente destes.
Segundo os media locais, os habitantes das casas que serão destruídas devido ao protejo terão autorização para construir no mesmo bairro, mas devem suportar os custos.
Al-Bustan faz parte da povoação de Siluan, adjacente à antiga cidadela de Jerusalém, onde as autoridades israelitas têm realizado escavações no que denominam “cidadela de David”.
O plano aprovado hoje prevê a construção de cafés, restaurantes, galerias de arte e um centro comunitário no lugar onde se crê que o bíblico rei David escreveu os seus salmos.
No local, há 88 casas de palestinianos, que abrigam um total de mil pessoas, e que têm recebido ao longo dos últimos anos ordens de demolição por parte das autoridades de Israel, que alegam que elas foram construídas sem permissões oficiais, arrogando para si todo o domínio e autoridade na gestão da cidade.
O Comité Popular de El-Bustan que reúne os moradores do bairro, prepara acções de protesto contra a decisão da Prefeitura de Jerusalém. Ein Youssef Matchih, um dos responsáveis pelo colectivo, disse à agência EFE que os moradores do bairro estão "furiosos, desmoralizados e temem que a decisão possa ser mantida".
A Autoridade Nacional Palestiniana já condenou a decisão israelita, segundo a agência de notícias WAFA.
Para o negociador-chefe palestiniano, Saeb Erekat, a decisão representa “uma tentativa por parte de Israel para destruir as possibilidades de paz e em particular de se iniciarem negociações directas”.
O secretário geral da organização israelita “Paz Agora”, Yariv Oppenheimer, considerou, por seu turno, que “Nir Barkat está a ser irresponsável e pode provocar uma nova Intifada em Jerusalém”.
Desde 1967, ano em que Israel ocupou Jerusalém oriental, foram destruídas na zona mais de 2000 casas palestinianas.