Com quase a totalidade dos votos contados (92,6%), Netanyahu confirma a vantagem nas legislativas israelitas e parece certo que voltará a ser a primeiro-ministro. O seu bloco, de direita e extrema-direita, ou mais propriamente de extrema-direita e de extrema-extrema-direita, tem 65 deputados, ao passo que o campo “anti-Netanyahu” se fica pelos 50.
Do lado dos grandes vencedores, para além de Bibi, que regressa apesar de continuar a ser julgado por corrupção, está a extrema-direita ultra-ortodoxa com vários destes partidos a superarem as expetativas. Destaca-se sobretudo o partido Sionismo Religioso de Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich com uma enorme subida de votos que o fará tornar-se o terceiro partido mais votado.
O partido de centro-esquerda Meretz poderá ser um dos grandes derrotados e desaparecer do parlamento por não alcançar o patamar mínimo de 3,25% de votos para eleger representantes. Isto para além dos trabalhistas, que ficam reduzidos ao mínimo histórico de quatro deputados, depois de terem sido o partido dominante da cena política israelita durante décadas.
De acordo com a última contagem, ainda não definitiva, o Likud de Netanyahu ganhará 32 lugares no parlamento, o liberal Yesh Atid do atual primeiro-ministro Yair Lapid 24, a extrema-direita do Partido Sionismo Religioso tem 14, o Partido da Unidade Nacional de Benny Gantz, também do atual campo governamental, fica com 12, os ultra-ortodoxos de extrema-direita do Shas elegem 11, o igualmente ultra-ortodoxo Judaísmo Unido da Torá terá oito. Seguem-se, todos com cinco deputados, o Yisrael Beiteinu, nacionalista e de voto russófono, a Lista Árabe Unida e o Hadash-Ta'al, uma dissidência da Lista Árabe Unida. Para além do Meretz, até ao momento estão fora do parlamento o Balad, também ele dissidente da Lista Árabe Unida e o Habayit Hayehudi, do campo ultra-ortodoxo.
Enquanto Netanyahu cedo cantou vitória, o primeiro-ministro Yair Lapid escolheu manter o silêncio “até ao último voto estar contado”, em princípio ainda na esperança de a “coligação da mudança” poder fazer-se valer da contagem atrasada em algumas localidades árabes e em zonas menos conservadoras. Com a contagem ainda não terminada, esta quarta-feira, fez saber que iniciaria os preparativos para a transferência de poder para aquele que se espera ser o governo mais extremista de sempre do país. Benny Gantz, por sua vez, garantiu que face a este panorama quer ser uma “oposição responsável”.