Irlanda: Deutsche Bank prevê segundo resgate para salvar bancos irlandeses

19 de maio 2012 - 13:30

A banca irlandesa poderá necessitar brevemente de um novo reforço financeiro para fazer face ao aumento adicional de quatro mil milhões de euros nas perdas com o crédito malparado, adianta o Deutsche Bank. Neste momento, muitos irlandeses devem ao banco pelo crédito concedido para aquisição de habitação um valor superior ao das suas casas.

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Segundo o relatório desta instituição bancária, “um aumento dos requisitos de capital, mesmo que modesto, pode dissuadir a participação de investidores”, o que levará à necessidade de um segundo pacote de financiamento.

O documento avança que “apesar da resiliência demonstrada em 2009 e 2010, os atrasos no pagamento de empréstimos aumentaram muito durante o último ano, os preços do imobiliário continuam a cair, a liquidez de mercado é limitada e mais de metade dos clientes têm um valor de ativos negativo”.



Tendo em conta que muitos dos clientes que contraíram empréstimos bancários para aquisição da sua habitação antes do fim da bolha imobiliária na Irlanda devem atualmente ao banco um valor superior ao das suas casas, os analistas do Deutsche Bank David Lock e Jason Napier receiam que “a dimensão do património negativa de alguns detentores de créditos hipotecários possa reduzir em grande medida o seu incentivo para cooperar, pressionando-os para o incumprimento”.

O valor assumido pelo crédito mal parado registou um aumento adicional de 4 mil milhões de euros, face àquele que havia sido assumido nos testes de stress aos bancos realizados no ano passado.

Segundo a Bloomberg News, os 10 maiores credores de consumo da Irlanda, incluindo 4 bancos controlados por entidades estrangeiras, perderam cerca de 117,8 mil milhões de euros em crédito mal parado nos últimos quatro anos (até dezembro de 2011).

Esta semana, Michael Torpey, que assessoria o governo no que concerne às suas participações bancárias, terá afirmado, conforme noticia a Bloomberg News, que os bancos conseguiriam suportar o crescimento do crédito mal parado. O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, terá, inclusive, declarado categoricamente durante uma entrevista que os bancos “a partir de hoje” não precisariam de mais nenhuma injeção de capital.

Nos últimos 3 anos, a Irlanda já injetou nos bancos cerca de 63 mil milhões de euros.