Iraque: Milícias pró-EUA sofrem atentados

18 de julho 2010 - 17:16

Mais de 50 pessoas morreram em dois atentados dirigidos contra a milícia sunita dos antigos membros da al-Qaeda que em 2006 se passaram para o lado das tropas norte-americanas.

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Atentados ensombram ainda mais o futuro das milícias sunitas que se passaram para o lado do ocupante. Foto Austin King/Flickr

Um camião-bomba explodiu na manhã de domingo em Radwaniya, no sudoeste de Bagdade, junto ao local onde os membros desta milícia ligada ao movimento "Despertar" faziam fila para receberem o pagamento mensal. Estas milícias são formadas por ex-combatentes sunitas, alguns ligados aos grupos da al-Qaeda instalados no Iraque com a ocupação norte-americana. A partir de 2006, a estratégia dos EUA para reduzir o nível de violência nas regiões de maioria sunita passou por contratar guerrilheiros ao inimigo. Segundo o jornal inglês "Guardian", pagavam 300 dólares por mês a cada membro destas milícias que chegaram a juntar 130 mil pessoas em todo o Iraque e foram decisivas para conter a vaga de atentados nos últimos anos.



A transição para o governo xiita e o aproximar da data de retirada do grosso das tropas dos EUA veio ensombrar o futuro destas milícias e os atentados contra elas têm-se multiplicado nas últimas semanas. O governo de Maliki já reduziu o seu número a 71 mil membros e elas já têm fim anunciado para os primeiros meses de actividade após a formação do governo, que ainda não ocorreu apesar das eleições se terem realizado no início de Março.



Os líderes sunitas dos "Conselhos Despertar" responsabilizam o governo por faltar ao prometido quer nos empregos para todos os milicianos, quer na garantia da sua segurança. E decidiram agora ter os seus próprios combatentes a fazer guarda aos quartéis-generais das milícias.



Do lado norte-americano, a preocupação é evidente. Citado pelo "Guardian", o comandante norte-americano no Iraque diz-se convencido que tanto a al-Qaeda como os próprios xiitas ligados ao governo têm interesse em intensificar os ataques contra os sunitas que se passaram para o lado do ocupante, como forma de humilhar os Estados Unidos na hora da saída das tropas. "Eles sabem que o general Petraeus irá seguir a estratégia de criar milícias locais no Afeganistão. Querem provar a toda a gente que isso não funcionou e que os que ficaram acabam todos por morrer.