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Incêndio de Moria: “Mais do que nunca, são necessárias soluções urgentes e de longo prazo”

Numa declaração conjunta, vários eurodeputados, entre os quais Marisa Matias, frisam que a pandemia veio agravar a situação terrível em que já se encontravam os refugiados e que o governo grego e a União Europeia têm contribuído para o problema em vez de resolvê-lo.
Campo de refugiados de Moria, Lesbos
Campo de refugiados de Moria, Lesbos. Foto de ORESTIS PANAGIOTOU, EPA/Lusa.

“Tanto os requerentes de asilo como a população local têm sofrido desde há muito tempo com a política de conter os requerentes de asilo em campos superlotados nas ilhas gregas, transformando-os, na realidade, em prisões, ignorando a verdadeira questão”, assinalam as e os subscritores da declaração conjunta divulgada esta quarta-feira na sequência do incêndio que destruiu o campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos.

O texto repudia “uma Europa que ainda só quer pagar para que as pessoas que precisam de proteção, pessoas que fogem das guerras e da pobreza, fiquem o mais longe possível. Uma Europa que deseja que a Grécia e outros Estados membros da linha de frente sirvam como seus ‘escudos’".

“A atual pandemia e os desafios adicionais que ela traz apenas aumentam a situação terrível”, referem, acrescentando que “aqui, novamente, as escolhas políticas e os fracassos do governo grego e da UE têm contribuído para o problema em vez de resolvê-lo”, optando por centrar as suas políticas na detenção, em vez de lidar com a questão de uma perspetiva de saúde pública.

Os eurodeputados apontam que o que é realmente necessário “é primeiro parar a hipocrisia e reconhecer as consequências das nossas escolhas políticas. Tanto a nível da UE como da Grécia”.

“Enquanto permitirmos que as pessoas necessitadas sejam instrumentalizadas, enquanto quisermos que os Estados membros da linha de frente atuem como ‘escudos’ e sirvam como centros de detenção, então enfrentaremos situações como esta”, enfatizam.

No documento, são exigidas “ações imediatas e uma mudança rápida de políticas”.

No que respeita às medidas emergenciais imediatas, em causa está evacuar as crianças não acompanhadas, famílias e mulheres solteiras com prioridade e colocá-las em locais seguros no continente antes de serem transferidas o mais rapidamente possível para outros Estados-Membros da UE. As pessoas “não devem ser levadas para centros de detenção, mas sim transferidas para abrigos abertos e seguros no continente e a UE deve assegurar a sua transferência para o resto dos Estados-Membros como um sinal urgente de solidariedade para com as pessoas e a Grécia”. Deve ser lançada uma investigação sobre as causas do incêndio e os requerentes de asilo devem ser protegidos de ataques violentos. Por fim, “as organizações da sociedade civil devem poder ter acesso às pessoas necessitadas, nomeadamente para fornecer cuidados de saúde de emergência”.

Por outro lado, a Europa tem de “adotar e implementar um mecanismo de redistribuição obrigatório e automático dos requerentes de asilo”, funcionando segundo os princípios de uma “verdadeira solidariedade” para com os seus Estados membros, as comunidades locais, as pessoas necessitadas, defendem.

A declaração é assinada por eurodeputadas e eurodeputados dos grupos GUE / NGL, S&D e Verdes / EFA no Parlamento Europeu.

Também esta tarde, um grupo de eurodeputados do GUE/NGL, entre eles o eurodeputado do Bloco de Esquerda José Gusmão, participou numa manifestação à porta do Parlamento Europeu para exigir à Comissão Europeia e Conselho Europeu uma ação imediata para evacuar o campo de refugiados e evacuar os requerentes de asilo para outros Estados membro da União Europeia.

 

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