"As informações que dão conta da detenção de pessoas por protestarem, pacificamente, contra a coroação são incrivelmente perturbadoras. É algo que se poderia ver em Moscovo, não em Londres", afirmou Yasmine Ahmed, da Human Rights Watch do Reino Unido.
Cerca de duas mil pessoas concentraram-se na Trafalgar Square para protestar contra a monarquia britânica. A Polícia Metropolitana de Londres, que tinha prometido “pouca tolerância” para quaisquer “perturbações” das celebrações, deteve mais de 50 pessoas. Pelo menos menos seis membros do grupo Republic, a maior organização republicana do país, foram detidos, entre os quais o seu presidente, Graham Smith.
“Eles estavam a juntar cartazes e a transportá-los quando a polícia os parou. Perguntaram porquê e disseram-lhes: ‘Dir-vos-emos quando revistarmos o veículo’. Foi então que prenderam os seis organizadores [dos protestos]”, descreveu Harry Stratton, dirigente do Republic, citado pelo The Guardian.
“Perguntámos qual a justificação para estarem a ser detidos, mas [a polícia] não disse. Foi uma surpresa, uma vez que tivemos uma série de reuniões [prévias] com a polícia”, acrescentou.
A polícia apreendeu centenas de cartazes com frases como "Ele não é meu rei", "Cidadãos, não súditos" ou "Abolir a monarquia".
Também foram detidos 13 manifestantes do grupo ambientalista Just Stop Oil, que pretendiam fazer um protesto contra os combustíveis fósseis durante a passagem do cortejo do rei Carlos III
A polícia de Londres justificou as detenções com o argumento de que se levantaram “suspeitas de delitos como conduta desordeira e conspiração para causar desordem pública nas proximidades da coroação".