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Hospital Pedro Hispano faz acordo com privados, que em Lisboa recusam doentes covid

A administração regional de saúde de Lisboa e Vale do Tejo reuniu com os grupos privados, que recusaram receber doentes covid. No norte, o Hospital-Escola Fernando Pessoa recebeu doentes com covid sem discutir preço e o seu responsável afirmou ironicamente: “Há muitos que andam a tratar da sua vidinha”.
Hospital Pedro Hispano – Foto sns.gov.pt
Hospital Pedro Hispano – Foto sns.gov.pt

Segundo o Expresso, o Hospital Pedro Hispano, localizado em Matosinhos, vai transferir para os hospitais do Grupo Trofa Saúde e da Ordem de São Francisco as cirurgias de clínica geral, de ortopedia e de oftalmologia e avaliam a possibilidade de transferir também as de urologia. Recorde-se que o grupo Trofa Saúde encerrou o hospital que tem em Famalicão, em plena pandemia. O grupo Trofa Saúde também retirou férias e descontou banco de horas aos trabalhadores, na unidade que tem na Amadora.

O hospital procura com esta medida enfrentar a pandemia e evitar derrapagens na lista de espera e responder às necessidades. Em Matosinhos há atualmente 1.000 pessoas infetadas e mais de 3.000 em vigilância ativa. O hospital Pedro Hispano tem em atraso 2.768 cirurgias e 34.740 consultas.

Ao jornal, o presidente do Conselho de Administração do hospital diz que a unidade local de saúde não está no limite de capacidade, “mas poderá entrar em rutura se não forem acauteladas desde já soluções alternativas”.

“Não temos recursos humanos nem camas para internar doentes covid e não covid a necessitar de cirurgias”, diz ainda Tavares Gomes, considerando que não é possível continuar “a prejudicar pacientes com cirurgias agendadas”. No entanto, as operações nos privados serão feitas por cirurgiões e anestesistas do Pedro Hispano. Segundo Tavares Gomes, “não temos profissionais de enfermagem que cheguem para os blocos operatórios e não nos podemos dar ao luxo de ter equipas médicas paradas”. O acordo com os privados consigna ainda que se os doentes precisarem de mais de dois dias de internamento, “devido a complicações”, então voltarão ao hospital público. “Como num hotel, a reserva de quartos acordada é no máximo de dois dias”, explica Tavares Gomes, acrescentando que “no universo das cirurgias em atraso também se contam pacientes que já podiam ter sido operados e não foram porque preferiam serem tratados aqui”.

O presidente do Conselho de Administração do Pedro Hispano diz que a administração “acautelou preventivamente o caos”. Segundo o jornal, o maior problema é a falta de recursos, sobretudo de enfermeiros e auxiliares, grupo de profissionais em que têm 20 pessoas infetadas.

Em Lisboa e Vale do Tejo, os grupos privados recusam receber doentes covid

O jornal “Público” noticiou que dez doentes de covid-19 foram transferidos do Hospital de Penafiel para o privado Hospital-Escola Fernando Pessoa, em Gondomar. O presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, disse, na passada terça-feira, que as administrações regionais de saúde do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo pediram um levantamento da capacidade dos hospitais privados.

Segundo o “Público” online, a reunião entre a administração da região de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) realizou-se na tarde desta quarta-feira e os privados comunicaram que não têm disponibilidade para receber doentes infetados com covid-19 nesta região. A reunião realizou-se entre o presidente da ARLSVT, Luís Pisco, o presidente da APHP e representantes dos principais grupos privados da região, para avaliar a capacidade de os privados receberem doentes covid, estariam em causa 20 a 30 camas.

“Têm uma atividade programada, fizeram os seus planos e não contaram com isso. Têm o mesmo problema que nós, se colocarem um doente covid numa enfermaria, essa enfermaria tem de ficar dedicada à covid”, afirmou Luís Pisco.

Há muitos que andam a tratar da sua vidinha”

O “Público” perguntou ao presidente da fundação proprietária do Hospital-Escola Fernando Pessoa, qual o preço que o SNS propõe pagar, pelos internamentos e tratamentos. Salvato Trigo responde:

“Nós não discutimos o preço, somos uma fundação e, como tal, não temos de remunerar acionistas, temos uma filosofia pedagógica, não propriamente comercial. Confiamos que o Estado fixe preços que deem para pagar as despesas. Mas o que parece é que a covid se está a transformar numa covidinha. Há muitos que andam a tratar da sua vidinha”. Salvato Trigo sublinhou ainda que o hospital-escola “não pertence à Associação Portuguesa de Hospitalização Privada”.

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