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Hong Kong: governo admite chamar exército, mas não quer falar de terrorismo

Se a violência dos protestos continuar, o governo de Hong Kong admite a intervenção dos militares chineses, mas acusações de terrorismo estão fora dos planos do executivo. Entretanto, os estilhaços da crise de Hong Kong já chegaram à liga de basketball norte-americana.
As barricadas nas ruas de Hong Kong regressaram em força no fim de semana. Foto Studio Incendo/Flickr

Depois de um fim de semana marcado pela violência e destruição no centro de Hong Kong, a chefe do governo abriu caminho à possível intervenção militar chinesa no território. Em conferência de imprensa esta terça-feira, Carrie Lam disse que ainda está confiante “ de que Hong Kong deve resolver o problema por conta própria”. Mas se a situação se agravar, “nenhuma opção poderá ser descartada, se quisermos que Hong Kong tenha pelo menos uma outra oportunidade”, afirmou a chefe do governo.

A escalada de tensão entre governo e manifestantes acelerou no fim da semana passada com a introdução da lei que criminaliza o uso de máscaras em reuniões públicas com mais de 50 pessoas. Entre sexta e domingo, milhares de jovens mascarados desceram às ruas do centro financeiro e comercial da cidade, incendiando bancos e estabelecimentos, erguendo barricadas nas ruas e vandalizando estações de metro e caminhos de ferro, semáforos e mobiliário urbano, nos intervalos dos confrontos com a polícia.

Ante o aumento da violência, o governo tem ponderado os prós e os contras de implementar outras medidas, como a das restrições no acesso à internet, já defendida por deputados próximos das posições do governo de Pequim.

Outras das medidas ventiladas, mas que para já não colhe o apoio do governo, é a da equiparação dos atos de violência e vandalismo a crimes de terrorismo. Entre os juristas há quem defenda que as ações dos manifestantes no fim de semana, que se saldaram em 104 feridos, dois dos quais em estado crítico, se enquadram no crime de terrorismo. Mas as consequências dessa decisão iriam afetar negativamente a imagem do país.

Segundo o South China Morning Post, o governo está preocupado não apenas com o pânico social que teria uma declaração desse tipo, mas também com as implicações económicas na queda do investimento e do rating da dívida. “A administração deve preservar a dignidade do passaporte de Hong Kong, que agora beneficia do estatuto de isenção de vistos de 167 países. Esse número iria baixar para 20 se nós admitíssemos que estamos a criar terroristas internos”, afirmou ao jornal uma fonte governamental não identificada.

NBA pede desculpas por declarações solidárias com a luta de Hong Kong

Os protestos de Hong Kong provocaram também uma crise diplomática com uma das indústrias do desporto com mais fãs na China. Um tweet do diretor-geral da equipa dos Houston Rockets — “Lutem pela liberdade. Apoiem Hong Kong” — levou a federação chinesa de basketball a cortar relações com o clube do Texas e os parceiros televisivos chineses a anunciarem o fim das transmissões dos seus jogos, vistos por centenas de milhões de pessoas na China. Outros patrocinadores chineses da equipa seguiram o exemplo e suspenderam de imediato o seu apoio.

Apesar de Daryl Money ter vindo esta segunda-feira afirmar que falara em seu nome a não no da equipa, e que não tinha a intenção de ofender ninguém com a sua declaração, a associação nacional de basketball norte-americana (NBA) apressou-se a reafirmar o seu “grande respeito pela história e cultura da China”, acrescentando que as palavras de Norey “ofenderam profundamente muitos dos nossos amigos e fãs na China, o que é lamentável”.

A popularidade do basketball na China só ganhou força quando o jogador chinês Yao Ming se transferiu —justamente para os Houston Rockets — em 2003, onde permaneceu durante oito épocas. A popularidade do jogador atraiu patrocinadores para o clube e para a NBA, bem como chorudos negócios publicitários e de transmissões televisivas para a China.

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