Trabalhadores de outra unidade da Honda, na China, iniciaram na segunda-feira uma greve por aumento salarial. Desta vez cruzaram os braços os trabalhadores da Foshan Fengfu Autoparts Co., na cidade de Foshan, província de Guangdong, no sudeste do país. Foshan foi cenário de outra greve que atingiu a fábrica de transmissões automóveis da Honda durante três semanas. Nessa greve, que durou até sexta-feira passada, os trabalhadores conseguiram 24% de aumento e outras melhorias nas condições de trabalho. E, ao que tudo indica, serviu de exemplo para os trabalhadores de outras fábricas.
A Fengfu Autoparts, que possui 489 funcionários, é uma joint-venture entre Moonstone Holding, de Taiwan, e a japonesa Yutaka Giken, produzindo escapes para carros. A Honda possui 70% da matriz japonesa da Yutaka Giken, localizada na cidade de Hamamatsu, no Japão.
Um grupo de cerca de 20 trabalhadores iniciou a greve e convenceu a maioria a aderir. A forma de paralisação mostra que, mais uma vez, os trabalhadores tiveram de se organizar de forma independente, já que os sindicatos chineses são atrelados ao Partido Comunista e não organizam a luta por melhores salários e condições de trabalho. Apesar das notícias anunciando que a greve havia terminado em acordo entre as partes na terça-feira à noite, outras fontes divulgaram que na manhã da quarta-feira, os trabalhadores recusaram a proposta e mantiveram a greve. A greve afectou duas unidades da Honda que, for falta de peças, tiveram de paralisar a produção
Os trabalhadores chineses estão a demonstrar, com uma série de lutas, que não estão dispostos a aguentar para o resto das suas vidas a super-exploração das multinacionais e de outras empresas internacionais. Enfrentam longas jornadas de trabalho que se vêem obrigados a cumprir, de 12, 14, 16 horas diárias, para poder compensar os baixos salários.
Suicídios
A massacrante jornada de trabalho, as precárias condições de sobrevivência e abusos que são forçados a submeter-se já levou a uma onda de suicídios na Foxconn, em Shenzen. A Foxconn emprega nada menos que 300 mil trabalhadores. Mas nos últimos meses ocorreram 11 tentativas de suicídio, das quais sobreviveram apenas dois trabalhadores. A empresa aumentou os salários, e tomou uma série de medidas para evitar os suicídios, como colocar redes no beiral dos alojamentos, para evitar que se pule, e oferece gratificação a quem informar sobre possíveis suicidas. Esse é o preço pago para que se produza os Iphone, da Apple, os computadores da Dell e da HP, as playstation da Sony. Em plena época da revolução digital, os trabalhadores têm de se submeter as condições brutais existentes no inicio do capitalismo.
Também nesse final de semana, trabalhadores da Merry Electronics fizeram uma greve e rapidamente conseguiram um aumento salarial. A Merry emprega mais de 10 mil trabalhadores. Mas não existem informações detalhadas sobre a mobilização.