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Historiadores querem abertura do arquivo do PCP

Fernando Rosas, João Madeira, João Arsénio Nunes, José Pacheco Pereira e Maria Fernanda Rollo fizeram um abaixo-assinado dirigido ao partido defendendo a consulta destes documentos com “relevância para o percurso histórico de Portugal Contemporâneo”.
Arquivo da Ephemera no Barreiro. Foto da Ephemera.
Arquivo da Ephemera no Barreiro. Foto da Ephemera.

Os historiadores Fernando Rosas, João Madeira, João Arsénio Nunes, José Pacheco Pereira e Maria Fernanda Rollo subscrevem um abaixo-assinado em que solicitam ao PCP a abertura do seu arquivo histórico, “mediante as regras e condições que o próprio Partido determinar”.

A ideia começou num debate organizado pela Fundação Mário Soares em que todos eles participavam. Os investigadores invocam “a oportunidade da passagem do centenário” do partido e alegam a sua “relevância para o percurso histórico de Portugal Contemporâneo” para justificar o pedido agora tornado público.

Deste arquivo farão parte notas de reuniões e relatórios por exemplo. Um acervo que se calcula de dimensões impressionantes já que, defende João Madeira ao Expresso, “o PCP tem o culto do papel, o aparelho precisa de produzir documentos”.

Haverá ainda outros “tesouros” históricos. Um deles são as gravações em microfilme de parte do arquivo da organização durante os tempos de clandestinidade que terá sido efetuada por José Dias Coelho e Margarida Tengarrinha no início dos anos 1960. Este historiador, autor de uma “História do PCP”, nota que “nunca ninguém viu o que eles microfilmaram” fora do partido.

Outro são os documentos apreendidos pela PIDE/DGS a comunistas e que desapareceram da sede da organização depois do 25 de abril de 1974. Parte destes documentos acabaram na União Soviética, fazendo hoje parte do arquivo Mitrokhin que está depositado na universidade de Cambridge. Outra parte estará nas mãos do partido.

São documentos considerados de grande relevância histórica. Fernando Rosas assinala ao mesmo órgão de comunicação social que há “várias zonas de incomodidade” e períodos pouco conhecidos: “está pouco esclarecido o período da fundação do partido, em 1921, até à ‘reorganização’ em 1940/41, onde emerge Cunhal. Foram anos sob a influência do anarco-sindicalismo, com muita divergência interna”. Outro exemplo é a fase de 1940 a 1945, “em que há dois ‘Avante!’ e dois PCP”.

José Pacheco Pereira, que prepara mais um volume da biografia de Álvaro Cunhal, explica que “os militantes e dirigentes eram ensinados a fazer relatórios segundo determinadas regras, com informações recebidas, movimentos sociais, e o mais importante não está acessível”.

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