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Há “muito abuso” no trabalho por turnos em Portugal

A coordenadora do Bloco de Esquerda encontrou-se com trabalhadores da fábrica Diam, em Santa Maria da Feira. Fábrica impôs a laboração contínua aos 150 trabalhadores e ignorou abaixo assinado subscrito por 90% destes.
Catarina Martins durante um encontro com trabalhadores da Fábrica DIAM, em Santa Maria da Feira. Foto de José Coelho/Lusa.

Catarina Martins marcou hoje presença na fábrica de rolhas de cortiça Diam, em Santa Maria da Feira, após um encontro com cerca de vinte trabalhadores da empresa. Esta empresa começou a ter laboração contínua contra a vontade dos seus trabalhadores, penalizando-os ao impedi-los de ter fim de semana ou organizar a vida familiar. Em reunião, soube-se que 90% dos trabalhadores assinaram um abaixo assinado contra os novos horários, contra a imposição da laboração contínua.

A coordenadora do Bloco apelou ao governo para “abrir os olhos” para o “muito abuso” existente em Portugal no que à imposição do trabalho por turnos diz respeito. “Está na especialidade da comissão de trabalho há já muitos meses as alterações ao trabalho por turnos para proteger os trabalhadores e este é o momento dessas alterações irem para a frente”.

“Este é o momento de nós em Portugal compreendermos o problema muito grande que está a acontecer com a laboração contínua e com o trabalho por turnos. Cada vez em mais setores há trabalho por turnos, há laboração contínua. Cada vez há mais riscos de saúde para os trabalhadores em Portugal, porque estamos a falar de quem trabalha noites, quem não tem fins de semana”, disse. Além de prejudicar a vida pessoal, o trabalho por turnos “penaliza a saúde dos trabalhadores, é culpado por mais acidentes de trabalho e não permite a conciliação da vida profissional com a vida familiar”.

“Forçar o trabalhador a condições de trabalho que não são próprias é o que fica mais barato e nós temos infelizmente empresas de mais a decidir assim. Por isso também é que é preciso ter uma lei de trabalho por turnos que proteja os trabalhadores, para que não sejam a parte mais fraca”, disse Catarina Martins.

Na sequência da reunião, alguns trabalhadores prestaram declarações à comunicação social. Filipe Silva, representante dos trabalhadores da Diam, disse à agência Lusa que a empresa com 150 funcionários, pretende implementar a laboração contínua a partir de setembro, tendo já recebido a autorização do governo.

“Se for preciso vamos fazer uma greve, porque as pessoas não querem trabalhar aos sábados e domingos. O desgaste dos trabalhadores já é muito grande, porque fazem três turnos rotativos. Todas as semanas mudam de horário e isso é muito penalizador para a saúde das pessoas”, disse Filipe Silva.

Entre os 150 trabalhadores da empresa, existem casais que partilham o mesmo emprego e que relatam situações de ameaça, na qual aos trabalhadores é dada a opção de pagarem a uma terceira pessoa para tomar conta dos filhos ou para as famílias optarem por trabalhar em turnos separados, impedindo assim a vida em família.

O Bloco de Esquerda já apresentou no passado uma pergunta ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre os relatos de assédio laboral com objetivo de pressionar os trabalhadores a laborarem sete dias por semana.

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