Guerra no Iémen: separatistas do sul declaram auto-governo

28 de abril 2020 - 17:01

Conselho Transitório do Sul estava do lado da coligação liderada pela Arábia Saudita, mas tinha-se desentendido com ela. É apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, que se mostram cautelosos face à declaração.

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Membro do Conselho Transitório do Sul vigia Aden depois da declaração de auto-governo. Abril de 2020. Foto de NAJEEB ALMAHBOOBI/EPA/LUSA.
Membro do Conselho Transitório do Sul vigia Aden depois da declaração de auto-governo. Abril de 2020. Foto de NAJEEB ALMAHBOOBI/EPA/LUSA.

O Conselho Transitório do Sul declarou o auto-governo nas zonas que controla. Parece assim romper definitivamente com o governo do Iémen que é apoiado pela Arábia Saudita mas que controla apenas uma pequena parte do território deste país.

Nas mãos dos separatistas passa a estar, pelo menos, um dos pontos estratégicos mais importantes do Iémen, o porto de Aden. Contudo, não é claro ainda com que outros apoios contarão nas autoridades locais do sul. O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Hadi apoiado pela Arábia Saudita, Mohammed al-Hadrami, alega que os governadores de Shabwa, Socotra, Mahrah e Hadramout estão do seu lado, ao mesmo tempo que pede à Arábia Saudita para tomar “medidas firmes” contra os separatistas.

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Do lado dos apoiantes do CTS contam-se os Emirados Árabes Unidos. Estes, pelo menos no discurso, tentam evitar uma rota de colisão aberta com o país mais poderoso da região. Por isso, as declarações são cautelosas. O ministro dos Negócios Estrangeiros dos EAU, Anwar Gargash, disse que a “frustração com o atraso na implementação dos acordos de Riad não deve ser uma razão para mudar a situação unilateralmente”.

O ponto de referência dos dois lados são os acordos alcançados em novembro passado, depois da tensão entre as partes ter feito estalar o conflito armado em Aden. Implicava a retirada de armamento pesado das cidades e a formação de “um governo competente”. O CTS critica não só a falta de cumprimento deste acordo, mas também a corrupção do governo de Hadi e o não pagamento de salários aos trabalhadores do Estado.

Cinco anos volvidos do início de uma guerra brutal que causou, segundo a ONU, uma catástrofe humanitária sem precedentes na região, a Arábia Saudita continua sem conseguir impor o governo seu protegido no país. Os rebeldes Houthis, a norte, dominam grande parte do território, contando com o apoio do Irão, rechaçando os ataques sauditas e chegando a contra-atacar. Entre estas partes, vive-se um frágil cessar-fogo promovido pela ONU que se prolongará, pelo menos, até ao fim do Ramadão. Para além da conflito e da fome, o Iémen vive uma situação de cheias graves. E às doenças que já grassam, como a cólera, soma-se agora o receio da Covid-19.

Os objetivos de longo prazo do CTS e do governo de Hadi são incompatíveis. Enquanto este insiste que é o governo legítimo, o Conselho Transitório do Sul quer a independência do Sul. Entre 1967 e 1990, o Iémen esteve dividido entre norte e sul. O presidente Ali Abdullah Saleh unificou o país sob seu poder mas, a partir de 1994, as tentativas de independência do sul recomeçaram.

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