Guardas sauditas mataram centenas de migrantes etíopes

21 de agosto 2023 - 17:27

A Human Rights Watch mostra como guardas fronteiriços mataram pessoas que só procuravam passar a fronteira. Uma investigadora da organização diz que “gastar bilhões em golfe profissional, clubes de futebol e grandes eventos de entretenimento para melhorar a imagem saudita não deve desviar a atenção destes crimes horrendos”.

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Imagem de um vídeo do TikTok que mostra um grupo de migrantes da Etiópia.
Imagem de um vídeo do TikTok que mostra um grupo de migrantes da Etiópia.

Um relatório de 73 páginas da Human Rights Watch revela que guardas fronteiriços da Arábia Saudita mataram “pelo menos centenas” de migrantes e requerentes de asilo da Etiópia que tentaram entrar no país pela fronteira com o Iémen entre março de 2022 e junho de 2023.

De acordo com a investigação, na altura em que este relatório ficou concluído estas matanças continuavam, incluem mulheres e crianças, “num padrão que é generalizado e sistemático”, sendo utilizadas armas explosivas e tiros à queima roupa, por vezes contra pessoas que tentavam regressar ao Iémen.

Estima-se que haja cerca de 750.000 etíopes a viver e trabalhar na Arábia Saudita. O recente conflito no norte do país levou muitas pessoas a procurar aí refúgio mas a migração pela chamada “rota do leste” acontece há décadas, sendo usada também por pessoas da Eritreia e Somália ou de outros países. Percorrê-la é enfrentar as redes de traficantes, a sua extorsão e agressões, a guerra e as detenções no Iémen, onde há relatos de tortura, violações e abusos de ambos os lados do conflito e a violência das autoridades sauditas.

A HRW falou com destas 42 pessoas, entre janeiro e junho deste ano e analisou 350 vídeos, fotografias e imagens de satélite que mostravam migrantes mortos e um número crescente de campas.

Estando a documentar este tipo de atuação desde 2014, conclui que há “uma escalada deliberada” destes assassinatos, com o “padrão de abusos” a mudar de “uma prática aparente de disparos ocasionais e detenções em massa para matanças generalizadas e sistemáticas”.

A organização quer que a ONU investigue e exige que a Arábia Saudita acabe “imediata e urgentemente” com “qualquer política de uso de força letal contra migrantes e requerentes de asilo”.

Nadia Hardman, investigadora da HRW diz que “se não houver justiça para o que parecem ser sérios crimes contra os migrantes e requerentes de asilo etíopes, isso só desencadeará mais assassinatos e abusos”, acrescentando que “gastar bilhões em golfe profissional, clubes de futebol e grandes eventos de entretenimento para melhorar a imagem saudita não deve desviar a atenção destes crimes horrendos”.