A onda de protestos na sequência do assassinato de Mahsa Amini continua no Irão, entrando na sua sexta semana. Este fim de semana, comerciantes fecharam lojas, nomeadamente nas grandes cidades do Curdistão e do Azerbaijão Ocidental, e foram declaradas greves de professores e de vários outros trabalhadores.
Em Tabriz, no noroeste do país, os trabalhadores da fábrica de chocolates Aidan entraram em greve e manifestaram-se gritando palavras de ordem contra o governo. E o Conselho de Coordenação da Associação dos Professores Iranianos convocou uma greve para o início desta semana e apelou aos diretores das escolas para se juntarem e ajudar a resistir à “opressão sistemática” de que os estudantes estão a ser alvo.
Estas greves seguem-se às dos trabalhadores do setor petrolífero, o maior do país. E é difícil conhecer a sua dimensão devido aos cortes na Internet. À AFP, o canal 1500tasvir esclareceu que há greves em “várias cidades incluindo Sanandaj, Bukan and Saqez”, sendo o conhecimento da situação dificultado porque “a ligação de Internet é muito lenta”.
Para além das greves, voltou a haver manifestações convocadas pelos estudantes universitários, por exemplo na Universidade Shahid Beheshti, em Teerão, uma das maiores do país, e na Universidade de Ciências Médicas de Tabriz, no noroeste do Irão. Segundo vários grupos de defesa dos direitos humanos, nos protestos liderados pelas jovens iranianas foram já mortas pelo menos 122 pessoas. Grupos iranianos, por sua vez, tentam calcular o número de detidos apesar das dificuldades de comunicação. O Centro para os Direitos Humanos no Irão indica que só em Teerão terão sido detidas 3.000 pessoas, 835 permaneceriam na prisão. A página iraniana de notícias sobre direitos humanos HRANA calcula que, ao todo, o número de detidos será de 12.450 .
Este sábado, imagens publicadas nas redes sociais e cuja veracidade foi confirmada por vários órgãos de comunicação social, confirmaram que lá voltaram a estar as jovens sem lenço, a desafiar o governo.
Manifestações em solidariedade com os protestos
Neste sábado, em vários pontos do mundo também houve manifestações em solidariedade com os manifestantes iranianos como na Alemanha, na Suíça, na Turquia, no Japão, na Austrália e nos Estados Unidos.
A manifestação de Berlim teve, segundo fontes policiais, mais de 80.000 pessoas congregadas à volta do lema “mulheres, vida, liberdade”.
80’000 rally in Berlin expressing solidarity with protesters in Iran. #MahsaAmini #IranRevoIution pic.twitter.com/AfeXwkY3uN
— Fabian Eberhard (@FabianEberhard) October 22, 2022
O mesmo que juntou “mais de 10.000 pessoas” em Washington, de acordo com as declarações à France-Presse de um dos organizadores, Siamak Aram, à France-Presse. É a quinta semana de manifestações consecutivas na capital norte-americana e em Los Angeles, zona em que vive a maior comunidade migrante iraniana nos EUA. E estas têm sido protagonizadas por iranianos como a jovem que tinha uma pancarta com uma madeixa de cabelo e a mensagem: “O nosso cabelo pode incomodar-vos, mas o nosso espírito vai acabar convosco”.