Lutas

Greve dos trabalhadores não docentes encerrou escolas de norte a sul

04 de outubro 2024 - 16:43

Sem direito a uma carreira e há anos com salários ao nível do mínimo legal, os auxiliares das escolas fizeram greve e concentraram-se em Lisboa. Mariana Mortágua levou a solidariedade do Bloco com quem trabalha nesta profissão desvalorizada pelos sucessivos governos.

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Manifestação dos trabalhadores não docentes em Lisboa.
Manifestação dos trabalhadores não docentes em Lisboa. Foto Esquerda.net

No regresso do ano letivo, a luta laboral das escolas tem passado pelo pessoal não docente, com várias greves em setembro. Esta sexta-feira foi a vez da  Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais convocar uma paralisação que fechou muitas escolas em todo o país, deixando outras a funcionar a meio gás e nalguns casos a encerrar após o período de almoço.

Os trabalhadores reclamam aumentos salariais e uma carreira que valorize a profissão. Os trabalhadores [não docentes] estão tristes porque veem algumas carreiras a serem valorizadas, nomeadamente na educação, mas eles nada”, disse Orlando Gonçalves, do STFPSN, à agência Lusa em Gondomar, num dos agrupamentos que encerrou devido à greve. O sindicato critica a postura do ministro Fernando Alexandre, que desconvocou a reunião que estava marcada para o final de agosto sem marcar nova data. E à beira de novo debate orçamental, temem voltar a ser esquecidos pelo Governo.

Em Lisboa, os trabalhadores juntaram-se junto ao jardim da Estrela, em Lisboa, antes de desfilarem rumo às instalações do Ministério da Educação.

Na concentração, Mariana Mortágua juntou-se às centenas de pessoas em protesto para destacar o trabalho destes funcionários, que são “na maioria mulheres e que suportam as escolas portuguesas”. Uma delas, Rosa Ferreira, que trabalha numa escola em Cascais, aproximou-se para lhe dizer que “tenho o maior orgulho na minha profissão, mas o maior desgosto com o meu salário. Ganho 821 euros”, contou, lamentando o que disse ser uma situação vergonhosa.

A coordenadora do Bloco afirmou aos jornalistas que sem uma carreira específica para a sua atividade, “alguém que entra hoje vai ganhar exatamente o mesmo do que alguém que faz hoje 60 anos, como é o caso desta senhora que acabámos de ouvir”. Por outro lado “não só não é dada uma carreira nem é reconhecida a especificidade deste trabalho, como ainda têm um salário que não lhes permite pagar a renda de uma casa”, o que representa “a desvalorização de um trabalho muito importante para as escolas”.

Mariana Mortágua na concentração dos trabalhadores das escolas em greve
Mariana Mortágua na concentração dos trabalhadores das escolas em greve. Foto esquerda.net

Por uma questão de justiça, a coordenadora do Bloco acompanha a exigência “muito simples” destas trabalhadoras: “ter uma carreira e saber que daqui a 40 anos a trabalhar numa escola vão estar a ganhar mais do que ganham hoje”. Nesse sentido o Bloco apresentou esta semana no Parlamento um projeto de lei para a criação da Carreira especial de técnico auxiliar de educação.

Mariana Mortágua acrescentou que a transferência de competências para as autarquias não só não melhorou a situação destas trabalhadoras como nalguns casos as prejudicou, com algumas Câmaras a colocá-las noutras funções que nada tem a ver com a escola. “A descentralização de competências como foi feita foi um erro e não cumpriu os seus objetivos, isso vê-se no funcionamento dos serviços públicos mas também nos direitos de quem trabalha”, concluiu Mariana Mortágua, defendendo que seria preferível estes profissionais continuarem a serem geridos pelo Ministério.