No regresso do ano letivo, a luta laboral das escolas tem passado pelo pessoal não docente, com várias greves em setembro. Esta sexta-feira foi a vez da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais convocar uma paralisação que fechou muitas escolas em todo o país, deixando outras a funcionar a meio gás e nalguns casos a encerrar após o período de almoço.
Os trabalhadores reclamam aumentos salariais e uma carreira que valorize a profissão. Os trabalhadores [não docentes] estão tristes porque veem algumas carreiras a serem valorizadas, nomeadamente na educação, mas eles nada”, disse Orlando Gonçalves, do STFPSN, à agência Lusa em Gondomar, num dos agrupamentos que encerrou devido à greve. O sindicato critica a postura do ministro Fernando Alexandre, que desconvocou a reunião que estava marcada para o final de agosto sem marcar nova data. E à beira de novo debate orçamental, temem voltar a ser esquecidos pelo Governo.
Em Lisboa, os trabalhadores juntaram-se junto ao jardim da Estrela, em Lisboa, antes de desfilarem rumo às instalações do Ministério da Educação.
Na concentração, Mariana Mortágua juntou-se às centenas de pessoas em protesto para destacar o trabalho destes funcionários, que são “na maioria mulheres e que suportam as escolas portuguesas”. Uma delas, Rosa Ferreira, que trabalha numa escola em Cascais, aproximou-se para lhe dizer que “tenho o maior orgulho na minha profissão, mas o maior desgosto com o meu salário. Ganho 821 euros”, contou, lamentando o que disse ser uma situação vergonhosa.
A coordenadora do Bloco afirmou aos jornalistas que sem uma carreira específica para a sua atividade, “alguém que entra hoje vai ganhar exatamente o mesmo do que alguém que faz hoje 60 anos, como é o caso desta senhora que acabámos de ouvir”. Por outro lado “não só não é dada uma carreira nem é reconhecida a especificidade deste trabalho, como ainda têm um salário que não lhes permite pagar a renda de uma casa”, o que representa “a desvalorização de um trabalho muito importante para as escolas”.
Por uma questão de justiça, a coordenadora do Bloco acompanha a exigência “muito simples” destas trabalhadoras: “ter uma carreira e saber que daqui a 40 anos a trabalhar numa escola vão estar a ganhar mais do que ganham hoje”. Nesse sentido o Bloco apresentou esta semana no Parlamento um projeto de lei para a criação da Carreira especial de técnico auxiliar de educação.
Mariana Mortágua acrescentou que a transferência de competências para as autarquias não só não melhorou a situação destas trabalhadoras como nalguns casos as prejudicou, com algumas Câmaras a colocá-las noutras funções que nada tem a ver com a escola. “A descentralização de competências como foi feita foi um erro e não cumpriu os seus objetivos, isso vê-se no funcionamento dos serviços públicos mas também nos direitos de quem trabalha”, concluiu Mariana Mortágua, defendendo que seria preferível estes profissionais continuarem a serem geridos pelo Ministério.