Na manhã desta quinta-feira, 13 de novembro, a direção do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) reuniu para analisar o pedido do ministério da Saúde para que a greve fosse desconvocada devido ao surto de 'legionella'.
O dirigente sindical José Carlos Martins disse à Lusa que o surto de 'legionella' não é uma questão suficiente para desconvocar a greve. O SEP considera que se o ministério achava mesmo importante a desconvocação da greve teria respondido a questões reivindicadas pelos enfermeiros como medidas para acabar com a exaustão dos enfermeiros ou a admissão de mais pessoal de enfermagem.
Nesta sexta-feira, José Carlos Martins declarou à Lusa: “Não desconvocámos a greve, os enfermeiros estão a aderir em força e, como é habitual, os serviços mínimos estão assegurados, portanto não há qualquer problema com os doentes”.
O dirigente sindical considera que a adesão à greve é uma 'boa resposta' ao ministro da Saúde e sublinha que os doentes estão a ter “as adequadas e necessárias respostas”, nomeadamente nos hospitais onde se encontram internadas pessoas infetadas com 'legionella'.
José Carlos Martins refere que “nos hospitais de Lisboa, que têm cerca de 320 doentes internados por causa do surto de ´legionella' de Vila Franca de Xira, os dados de adesão variam entre os 80 e os 98 por cento em São José”.
Na convocação desta greve nacional, o SEP acusou o ministério da Saúde de não cumprir os compromissos assumidos em negociação no que se refere à possibilidade do descongelamento do tempo de serviço para a progressão na carreira.
“A proposta de Orçamento de Estado para 2015, contrariamente ao que estava inscrito no Documento de Estratégia Orçamental e que o Governo propagandeou, em junho, não prevê normas que são exigências dos enfermeiros e do SEP, nomeadamente, a progressão na carreira, o fim dos cortes salariais nas horas penosas e nas horas extraordinárias, reposição das 35 horas”, refere o sindicato.
Os enfermeiros fizeram greve geral em 24 e 25 de setembro passados contra a falta de profissionais de saúde no SNS e pela dignificação da carreira.
Nova greve nacional de enfermeiros está marcada para a próxima sexta-feira, 21 de novembro, com concentração junto ao ministério da Saúde.