Ainda esta segunda-feira, numa desesperada tentativa de resolver o impasse político sem ser nas urnas, o presidente Papoulias defendeu a criação de um governo de tecnocratas ou “notáveis”. A proposta, à medida da Nova Democracia e Pasok, foi derrotada e ruiu como todas as outras tentativas de coligação governamental.
Os líderes dos partidos com assento parlamentar vão reunir-se amanhã, com o presidente Papoulias para formar um Governo que conduza os destinos do país até às eleições. Desconhece-se ainda se todos os partidos estarão representados nesse executivo de gestão.
As eleições na Grécia tiveram lugar em 6 de Maio e o resultado implodiu o sistema de dois partidos que governam a Grécia desde 1974. A direita conservadora da Nova Democracia e o Pasok (socialista), os dois partidos que assinaram o memorando com a troika, registaram apenas 32% dos votos, contra os 78% que tiveram nas eleições de 2009.
Com 16,8 por cento dos votos, a grande surpresa das últimas eleições foi a Syriza, a coligação de esquerda que se tem batido contra o acordo com a troika. A coligação, que aparece em primeiro lugar em todas as sondagens realizadas depois das eleições, considera que o acordo com a troika foi rejeitado nas urnas e que a Grécia não se encontra obrigada a cumpri-lo.
A Syriza defende ainda a nacionalização da banca, o cancelamento das medidas de austeridade, previstas para o próximo trimestre, e o fim da flexibilização laboral acordada com Bruxelas.