No vídeo de 2,5 minutos partilhado na internet esta quarta-feira e cujas transcrições foram ainda divulgadas no parlamento grego, Takis Baltakus afirma que a repressão contra o partido nazi, na sequência do assassinato do cantor de hip hop anti-fascista Pavlos Fyssas, teve como objetivo conter a perda de votos da Nova Democracia, e que não havia nenhuma evidência que sustentasse esta ação.
Baltakus, identificado como pertencendo à ala mais à direita da Nova Democracia e como um dos conselheiros mais próximos de Samaras, adianta ainda que o ministro da Justiça, Haralambos Athanassiou, e o ministro do Interior, Nikos Dendias, apelaram às crenças religiosas da Procuradora Geral do Supremo Tribunal, Efterpi Goutzamani, para convencê-la de que o Aurora Dourada era um partido de “pagãos, idólatras, nazis que se opunham ao cristianismo”. O secretário-geral do executivo grego referiu ainda que Goutzamani se tornou Procuradora Geral por ser oriunda de uma aldeia próxima da aldeia de Samaras e que agora estaria a pagar a sua dívida para com o primeiro-ministro.
Ao anunciar a sua demissão, Baltakos explicou que, devido ao facto de o seu gabinete estar localizado perto dos gabinetes do Aurora Dourada, teve "encontros casuais frequentes com deputados desse partido” e que, num desses encontros, após a detenção dos deputados Michaloliakos, Pappas e Lagos, Kasidiaris terá pedido para vê-lo em particular.
Durante a conversa, Kasidiris terá acusado Baltakos de participar numa conspiração contra o partido neonazi, sendo que tudo o que o secretário-geral do executivo grego disse terá sido para se “livrar da pressão” a que estava a ser sujeito.
O silêncio culpado do governo grego
Segundo o Syriza, Samaras “é pessoalmente responsável por todos os acontecimentos”, salientando o facto de o porta-voz do governo ainda não ter encontrado tempo para comentar o caso Baltakos.
“O silêncio culpado do governo é indicativo das suas graves responsabilidades no que respeita à sua postura contra o partido Aurora Dourada, bem como às relações subterrâneas entre responsáveis governamentais e o partido neonazi”, avançou o Syriza.
Quem é Takis Baltakos?
O EnetEnglish refere que Takis Baltakos foi nomeado por Antonis Samaras para o cargo em 2012 e que, em dezembro desse ano, declarou, perante o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Kostis Papaioannou, que, enquanto representante do governo e da Nova Democracia, não se importava “com o trabalho da comissão e os direitos humanos , nem com as obrigações internacionais do país".
Em 2013, Baltakos terá dito ainda que a cooperação entre a Nova Democracia e o Aurora Dourada em futuras eleições era " indesejável, mas não uma possibilidade improvável ".
No mesmo ano, o secretário-geral de Antonis Samaras contribuiu para bloquear uma lei antirracista e foi uma das vozes que se opôs às ações contra os membros do partido neonazi.
Na semana passada, Baltakos afirmou que foi anticomunista durante toda a sua vida e que a esquerda grega tem atormentado o país desde 1942, ano em que se muniu de armas para lutar contra a ocupação nazi.
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