Em conferência de imprensa esta terça-feira, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda comentou as declarações do ministro das Finanças que dão o dito pelo não dito no caso da construção do novo aeroporto, com Miranda Sarmento a afirmar que esta “poderá mesmo envolver despesa pública”.
Fabian Figueiredo considera isso “inaceitável” e revelador de que há “uma relação difícil deste Governo com a verdade”.
Para mostrar que o executivo de direita “não só tem opções erradas como não consegue dizer a verdade”, recordou episódios como o anúncio da “redução histórica do IRS” que seria de 1.500 milhões e passou a ser apenas de 200 milhões; do IRC em que se garantia que uma redução de um ponto percentual custaria 300 milhões quando afinal custa 400; do número de alunos por turma que “com pompa e circunstância” o primeiro-ministro e o ministro da Educação anunciaram ter sido reduzido em 90%, para apenas dias depois vir a reconhecer que os dados eram errados; da greve do INEM “em que o Governo dizia não saber de nada mas tinha sido avisado dez dias antes”. Desta sucessão de declarações, o Bloco conclui que “falta credibilidade” ao Governo.
A história do novo aeroporto segue a mesma tendência, referiu Fabian Figueiredo, explicando que, em maio, Miguel Pinto Luz garantia ao país “reiteradas vezes” que a construção do novo aeroporto em Alcochete não custaria um cêntimo aos contribuintes. O que contrasta com as declarações de hoje do ministro das Finanças.
Assim, “o PSD não só no passado entregou uma empresa lucrativa e estratégica como é a ANA, os aeroportos da República Portuguesa, por 50 anos a uma empresa francesa que os pagou em dez”, como deixa agora “que sejam os portugueses a pagar o novo aeroporto que a mesma Vinci irá explorar”.
Por isto, anunciou que o Bloco vai entregar no Parlamento um requerimento para que o relatório sobre o tema seja entregue à Assembleia da República e para que o ministro Miguel Pinto Luz preste esclarecimentos sobre “o que é que se passou nestes meses de contactos entre o Governo e a Vinci, “onde está um conhecido dirigente histórico do PSD, José Luís Arnaut”, um nome ligado a todos estes episódios, “na privatização da TAP, na concessão da ANA, e agora representa a Vinci” que mais uma vez se prepara para colocar os contribuintes portugueses a pagar os seus lucros.