"Governo não tem explicação para degradação do défice"

21 de agosto 2010 - 12:53

O deputado bloquista José Gusmão diz que os números de execução orçamental agora divulgados revelam uma "degradação do défice" no último ano e que as medidas de austeridade comprometem o crescimento da economia.

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Receita fiscal aumentou e despesa corrente do Estado também. Foto Youssef Abdelaal/Flickr

"Os números da execução orçamental mostram que houve uma degradação do défice em relação ao ano passado para a qual o Governo não tem, aparentemente, explicação", disse José Guilherme à agência Lusa.



Os números do governo dizem que a despesa corrente primária do Estado subiu 5,7% de Janeiro a Julho, mas o grau de execução da despesa fica abaixo da média, o que garante a meta do défice deste ano, segundo o Ministério das Finanças.



José Gusmão assinalou que os dados revelados esta sexta-feira indicam o aumento da receita fiscal "decorrente de variáveis associadas ao crescimento económico, muito particularmente ao consumo", o que é um sinal positivo. Mas principal motor do ajuste orçamental "têm sido as famílias", justamente as mais penalizadas pelas medidas de austeridade do governo.



"As medidas de austeridade, nomeadamente as que foram dirigidas ao poder de compra das famílias, através dos cortes nas prestações sociais e na redução de salários, não só comprometem a qualidade de vida das pessoas como o crescimento da economia e o próprio acerto orçamental", acrescentou o deputado bloquista, que aconselha o governo a concentrar-se no crescimento económico e na criação de emprego, porque só assim se consegue reduzir a despesa social.



No comunicado de imprensa sobre a execução orçamental de Janeiro a Julho, o Ministério das Finanças sublinha que "a despesa efectiva do período de Janeiro a Julho de 2010 aumentou 3,8% em termos homólogos" e que "essa variação diminuiu 0,5 pontos percentuais face ao mês anterior".