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Governo de Hong Kong vai retirar lei de extradição

Ao fim de três meses de protestos, a chefe do governo de Hong Kong foi obrigada a ceder à reivindicação inicial dos manifestantes que têm enchido as ruas do território.
Carrie Lam
Carrie Lam na sua comunicação gravada e transmitida esta quarta-feira.

A decisão de Carrie Lam será anunciada esta quarta-feira e é vista como um passo do governo para acalmar a tensão política e social que tem abalado Hong Kong desde junho.

A retirada completa da proposta de lei que permite a extradição de cidadãos de Hong Kong para serem julgados na China foi a primeira reivindicação do movimento. Mas a repressão que se seguiu às primeiras manifestações serviu para juntar outras exigências: uma comissão de inquérito independente à repressão policial, a libertação dos manifestantes detidos, a demissão da chefe do governo e a reforma do sistema político com a introdução do sufrágio universal.

Para já, Carrie Lam compromete-se a retirar a proposta — que já tinha dado como suspensa — e a criar uma plataforma de diálogo sobre as causas do descontentamento popular, que faça também recomendações ao governo para ultrapassar a crise. A investigação à ação policial será feita pelo organismo próprio, agora reforçado com a nomeação de dois novos membros, e não por um organismo independente, como existem os manifestantes.

No seu discurso desta quarta-feira, Carrie Lam manifestou ainda a sua oposição à reivindicação da libertação dos manifestantes presos, por ser “contrária ao estado de direito”. Quanto ao sufrágio universal, diz ser um objetivo do governo, mas através de um debate público num clima pacífico e sem polarização da sociedade.

Segundo o South China Morning Post, Carrie Lam terá decidido recuar na introdução da lei após reunir com 19 influentes líderes políticos de Honk Kong. O anúncio da decisão fez disparar o índice bolsista em quase 4% em poucas horas.

A ameaça de demissão que foi parar aos jornais

O anúncio do recuo surge horas depois de ter sido publicada uma gravação audio, feita num almoço de Carrie Lam com empresários, em que a chefe do governo afirma que se pudesse escolher, demitir-se-ia por causa da instabilidade provocada pelos protestos.

A divulgação da mensagem foi vista como uma forma de Carrie Lam passar culpas para o governo chinês, que tem defendido mão dura contra os manifestantes e nenhuma cedência às suas reivindicações. Em conferência de imprensa, Lam desmentiu essa ideia, afirmando que “a escolha de não me demitir é minha” e que quis transmitir a ideia de que a demissão seria o caminho mais fácil do ponto de vista pessoal.  

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