Governo de Cuba despede 500 mil funcionários nos próximos seis meses

14 de setembro 2010 - 17:23

A Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) anunciou que o Governo vai avançar com o despedimento de “pelo menos” 500 mil funcionários dos quadros estatais durante os próximos seis meses e permitir que estes se dediquem a outras actividades no sector privado.

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O Presidente Raúl Castro já tinha antecipado que um milhão de funcionários públicos poderiam vir a ser dispensados, durante os próximos cinco anos. Foto LUSA/EPA/Alejandro Ernesto.

A medida foi apresentada como “uma oportunidade para o exercício do empreendedorismo e da iniciativa própria”, e não como uma resposta à difícil situação financeira da ilha, num comunicado que começa por referir que a medida se enquadra num “processo de actualização do modelo económico” e nas projecções da economia para o período 2011-2015.

“O nosso estado não pode nem deve continuar a manter meios de produção e companhias da área dos serviços com quadros inflacionados e prejuízos na sua actividade. É uma situação contra-produtiva que causa danos à economia, cria maus hábitos e distorce a conduta dos trabalhadores”, referiu a central sindical que é a federação oficial de sindicatos do país.

A medida fora defendida pelo Presidente Raúl Castro à Assembleia Nacional já no mês passado. Castro antecipara que um milhão de funcionários públicos (ou seja, um quinto da força laboral de Cuba) poderiam vir a ser dispensados, faseadamente, nos próximos cinco anos.

Na mesma altura, Castro anunciou que o governo estava a preparar-se para aumentar o número de licenças para a actividade de empreendedores individuais e pequenas empresas, supostamente para escoar parte da mão-de-obra que vai ser dispensada pelo Estado. Actualmente, só 143 mil pessoas estão autorizadas a trabalhar por conta própria, adianta o Público.

Todo este processo ocorrerá de forma gradual, mas a CTC adverte que "vai ser iniciado de imediato e pela sua magnitude vai abranger todos os sectores".

A central sindical também aludiu a uma "alteração do actual quadro laboral e salarial (...) pois já não será possível aplicar a fórmula de proteger ou subsidiar os trabalhadores com salários, e de forma indefinida", sugerindo depois que o actual sistema de "pagamento por resultados" tem sido uma via importante para aumentar a produtividade.

O CTC garantiu também que alternativas profissionais para os trabalhadores despedidos do Estado serão asseguradas, quer com o “alargamento das possibilidades de emprego não-estatal” como o aluguer de terrenos agrícolas ou a participação cooperativas, quer com a emissão de 250 mil novas licenças para o “auto-emprego” até ao final de 2011.

O comunicado difundido, esta terça-feira, pelo CTC, esclarecia que o Estado só manterá nos seus quadros os trabalhadores afectos aos sectores considerados “indispensáveis” e onde a força de trabalho é historicamente insuficiente, como a agricultura, construção, educação e forças de segurança.