O Governo vai cortar o financiamento aos investigadores que estejam a fazer doutoramentos no estrangeiro, diminuindo o valor da bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) dos atuais 12500 euros por ano para 5000 euros, avança a edição desta terça-feira do jornal “Público”.
O regulamento de bolsas de investigação foi publicado a semana passada, depois de a sua divulgação ter sido adiada três vezes durante os últimos meses, e prevê uma vasta diminuição dos apoios à investigação e à mobilidade dos bolseiros.
Apesar de dizer respeito ao concurso de bolsas para 2012, as alterações ao novo regulamento também vão afetar os bolseiros com projetos já aprovados. No final do mês de Maio, a FCT tinha 12084 bolsas aprovadas.
Não é só o montante das bolsas que vai ser reduzido, também os doutorandos em universidades nacionais vão deixar de poder passar três meses por ano numa instituição no estrangeiro. Doravante, o apoio público vai ser limitado a apenas três meses durante todo o período da bolsa (4 anos).
A Fundação para a Ciência e Tecnologia garante, em declarações ao jornal “Público”, que este corte “não terá qualquer espécie de impacto na mobilidade dos bolseiros”, uma vez que a “esmagadora maioria das propinas referentes a instituições estrangeiras” não é superior a cinco mil euros por ano. O que a FCT não diz, contudo, é como é que os investigadores vão suportar os custos acrescidos da permanência no estrangeiro, limitando-se a sugerir formas de cofinanciamento.
O novo regulamento proposto pela FCT está a ser recebido com preocupação entre os investigadores e bolseiros. Ontem, nove centros de investigação reuniram-se em Braga para estudar uma estratégia de resposta.