Golfo do México: fuga de petróleo há 14 anos tem potencial para ser a pior da história

28 de outubro 2018 - 13:16

Há 14 anos que o Golfo do México vem sofrendo com uma fuga de milhões de barris de petróleo, sem que a maioria da população tenha conhecimento. Enquanto isso, a administração de Trump equaciona aumentar os contratos com a indústria.

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Golfo do México: fuga de petróleo há 14 anos tem potencial para ser a pior da história
O derrame só foi identificado por ambientalistas em 2010, seis anos após o seu início. Foto de Kris Krüg/Flickr.

Uma investigação do Washington Post deu a conhecer uma fuga de óleo que tem vazado milhões de barris no Golfo do México nos últimos 14 anos. O derrame dura há tanto tempo que arrisca agora ser um dos piores desastres marítimos da história dos Estados Unidos da América. 

Desde 2004 serão entre 300 a 700 barris de petróleo a espalhar-se diariamente ao longo de sensivelmente 19 quilómetros da costa do Louisiana. A fuga terá começado quando, na sequência do furacão Ivan, a plataforma de produção de petróleo da Taylor Energy sofreu um deslizamento de terra. Acontece que muitos dos poços não foram fechados e, face à inexistência de um qualquer plano para impedir o vazamento do petróleo, este acidente ameaça ganhar proporções superiores ao desastre da Deepwater Horizon da BP. A situação é tão grave que os investigadores necessitam de recorrer a respeitadores para poderem analisar os danos. 

“Não creio que as pessoas saibam que temos este oceano nos Estados Unidos ocupado pela indústria”, disse ao Washington Post Scott Eustis, ecologista e membro da Gulf Restoration Network.

A fuga de óleo causada pela Taylor Energy é ainda desconhecida da maioria da população, sobretudo fora do Louisiana. Segundo o jornal americano, a empresa escondeu o derrame durante os primeiros seis anos e só foi descoberta graças aos grupos ambientalistas que em 2010 monitorizaram a zona para avaliar as consequências do desastre da BP, uns quilómetros mais a norte. 

O Governo dos Estados Unidos está a lutar em tribunal com a Taylor Energy de forma a forçá-la a assumir a responsabilidade. A própria empresa avançou num tribunal federal contra o Departamento do Interior, exigindo a devolução dos 450 milhões de dólares que pagou ao Governo para financiar o trabalho de recuperação dos destroços e localização dos poços enterrados. 

A empresa argumenta ainda não existirem evidências que apontem para a fuga em nenhum dos barris. Porém, em setembro o Departamento da Justiça apresentou uma análise independente, que trabalha com dados fornecidos pela própria empresa, onde é apontada a possibilidade de o derrame ser superior ao valor apresentado pelo Governo. 

Ao mesmo tempo, a administração de Donald Trump está a equacionar avançar com a maior expansão já feita de contratos para as indústrias do petróleo e gás. Em cima da mesa está a possibilidade de abrir quase toda a plataforma externa para perfuração offshore - incluindo na costa com o Atlântico, onde não há perfuração há mais de cinquenta anos e por onde passam furacões com uma frequência muito superior à do Golfo.Tudo isto acontece enquanto se discute a nível internacional a necessidade de reduzir o consumo de combustíveis fosseis para combater as alterações climáticas. 

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