Galp desiste de exploração de petróleo em Aljezur

29 de outubro 2018 - 14:22

A petrolífera optou pela renúncia voluntária da concessão. Bloco considera esta “uma vitória importante do movimento cívico contra o petróleo no Algarve”.

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O crescimento dos lucros da Galp deveu-se sobretudo ao crescimento da atividade na área da exploração e produção e à subida dos preços do petróleo.
O crescimento dos lucros da Galp deveu-se sobretudo ao crescimento da atividade na área da exploração e produção e à subida dos preços do petróleo.

Carlos Gomes da Silva, presidente-executivo da empresa, informou que a Galp irá abandonar a prospeção de petróleo em Aljezur. O anúncio foi feito esta segunda-feira, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que indicam que a Galp aumentou os lucros em 35 por cento para 212 milhões de euros.

A concessão iria terminar em janeiro de 2019, após três prolongamentos do prazo pedidos pelo consórcio formado entre a Galp (30%) e a Eni (70%). Previa-se que fossem feitas sondagens no deep offshore da bacia do Alentejo, Furo Santola1x, a cerca de 45 quilómetros de Aljezur.

Entretanto, uma providência cautelar apresentada pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo, que aludia à violação de normas da discussão pública por parte da Direção-Geral de Recursos Marítimos, fez com que o Tribunal Administrativo de Loulé decidisse pela suspensão dos trabalhos.

Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda, em declarações ao Esquerda.net, afirmou que “a renúncia voluntária da concessão e desistência da exploração pela Galp do furo de Aljezur constitui uma vitória importante do movimento cívico contra o petróleo no Algarve e de toda a gente que se tem manifestado pela transição energética para fontes de origem renovável”. “O que podia parecer uma luta impossível acaba por resultar num enorme ganho para o ambiente e para o caminho que não pode ser atrasado pela mitigação e adaptação às alterações climáticas”, acrescenta ao jornal.

Em comunicado público, o Climáximo afirma que "falta parar todos os restantes furos de petróleo e gás. Para conseguirmos atingir a meta dos 1,5ºC, temos de parar todas as novas infraestruturas de combustíveis fósseis e lançar uma transição energética justa e rápida".

O crescimento dos lucros da Galp deveu-se sobretudo ao crescimento da atividade na área da exploração e produção e à subida dos preços do petróleo. Nos primeiros nove meses do ano, o resultado líquido cresceu 54 por cento, para 598 milhões de euros. Estes resultados superaram ligeiramente as estimativas dos analistas, que apontavam para um total de lucros de 210 milhões de euros.