G8 e G20 reunidos no Canadá à procura da retoma da economia

26 de junho 2010 - 18:25

Na cimeira do G8, reunida este sábado, disputa-se a saída da crise económica internacional. Os europeus defendem uma maior austeridade fiscal, para conter défices, e a taxação bancária, mas os países emergentes querem maior participação do Banco Mundial e o FMI.

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Uma manifestante pacifista do "Clown Army" [Exército de Palhaços] interage com a polícia durante as manifestações anti-G8 e anti-G20, no Canadá. Foto LUSA/EPA/SERGEI ILNITSKY.

Os sete países mais industrializados, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, EUA, Canadá e Japão (G7) e a Federação Russa (juntos formam o G8 ) estão este sábado reunidos em Huntsville, um local turístico solitário do Canadá, perto de Ontário, onde o presidente dos Estados Unidos da América pressionou os europeus para encorajarem a retoma nascente.

 “Devemos agir de forma concertada por uma razão simples: esta crise provou que as nossas economias nacionais estão inextrincavelmente ligadas”, disse Barack Obama, lembrando que “a tormenta económica pode propagar-se facilmente”. Na noite de quinta-feira, o congresso dos EUA aprovou um projecto de reforma da regulação financeira que Obama deverá afirmar junto dos seus pares.

Os europeus procuraram defender-se, garantindo que as políticas de austeridade adoptadas nos últimos meses na Alemanha, Reino Unido e França não colocaram em causa a recuperação económica.

É “tempo de reduzir os défices” e “a Europa viveu a experiência do que significa ter défices demasiado elevados”, retorquiu a chanceler alemã, Angela Merkel, aludindo aos casos recentes de Grécia, Espanha e Portugal. Além de que, acentuou, “é preciso um crescimento que assente em bases reais e não no endividamento”.

A reunião de hoje do G-8 é seguida, no domingo, por uma do Grupo dos 20 (G-20), que integra, além destes oito Estados, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. A União Europeia é o 20º membro.

G20: proposta de taxa bancária  em cima da mesa

Durante a reunião do G-20, sábado e domingo, em Toronto, serão discutidos projectos como a taxa bancária ou uma contribuição sobas as transacções financeiras. Reino Unido, França, Alemanha e EUA defendem a instauração de uma taxa sobre os bancos, mas o Canadá, a Federação Russa, a China, a Índia e a Austrália já manifestaram a sua oposição.

O Canadá, anfitrião da cimeira do Grupo das 20 maiores economias mundiais (G20), anunciou mesmo que pressionará por uma política de redução do défice e afirmou-se descrente na aprovação da taxa bancária proposta por países europeus.

O fórum, que reúne representantes dos 20 principais países ricos e países emergentes, irá dedicar-se à análise da saída da crise económica internacional, mas terá dificuldade em encontrar um consenso sobre o rumo a tomar.

O Canadá deu sinais sobre as medidas em que se irá empenhar para ver aprovadas, tendo o seu ministro federal das Finanças, Jim Flaherty, deixado já o aviso de que “é evidente que [da cimeira] não resultará uma solução que sirva a todos”. O governante canadiano afirmou ainda que “a questão número um na reforma financeira não é uma taxa bancária”. “Avançará uma taxa bancária global? Não. Porque a maioria dos países do G20 não a querem”, acrescentou.

Outros países apresentarão no G20 soluções diferentes, como o caso do presidente dos EUA, Barack Obama, que sublinha que caminho não deve sacrificar os pacotes de estímulo à economia e comprometer o crescimento, sob pena de se poder manter o ciclo recessivo.

Por sua vez, a União Europeia dá o enfoque ao seu plano de reforma do mercado financeiro seguir em frente.

Já antes de começar, a cimeira do G20 tem estado a ser alvo de um coro de protestos por parte de milhares de manifestantes que, desde a tarde de sexta-feira, percorreram ruas centrais na cidade de Toronto, chegando a aproximar-se do perímetro de alta segurança para o centro de congresso onde decorrerá a reunião. Os protestos são contra os gastos das cimeiras do G8 e do G20, que deverão custar cerca de mil milhões de euros às autoridades canadianas e reclamam maior combate à pobreza.

Num rascunho do comunicado do G8, a que a Reuters já teve acesso na reunião, é assinalado apoio a Seul, que pretende fazer avançar no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução contra o regime de Pyongyang (Coreia do Norte) pelo incidente com a corveta “Cheonan”, que causou a morte de 46 marinheiros em Março passado.

O G8, no mesmo documento, insta as lideranças do Irão a respeitarem os valores de Estado de Direito e liberdade de expressão – ecoando as recomendações do ano anterior.

No comunicado é ainda abordado o Afeganistão, com um apelo ao Governo de Hamid Karzai para que esteja pronto a mostrar aos aliados, na cimeira marcada para 1 de Julho em Cabul, que estão a ser feitos “progressos tangíveis” e ganhos de responsabilidade para uma maior segurança no país – um factor crucial para a planeada retirada das tropas norte-americanas, a partir de meados de 2011.

Os membros do G8 sublinham ainda a necessidade de uma mudança na situação do bloqueio israelita à Faixa de Gaza: “Não pode continuar e tem que ser mudada”, é dito.

ONU diz que ainda há muito a fazer na luta contra a pobreza

Mesmo com as crises alimentar e económica, que provocou sérios danos no emprego, o mundo está a avançar na concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Mas esse progresso é lento e para que as metas sejam alcançadas até 2015 os países devem acentuar os seus esforços, indica um relatório das Nações Unidas.

O documento, divulgado esta semana, na véspera das cimeiras do G8 e do G20, indica que a pobreza extrema diminuiu, o combate a doenças como o HIV/sida e a malária tem dado frutos, o acesso a água potável aumentou e há avanços na escolarização básica, designadamente em África.

Só que noutras áreas críticas, como a saúde materna, a mortalidade infantil e o acesso a saneamento básico, é preciso percorrer um longo caminho para manter a esperança de alcançar os ODM - fixados há dez anos com a intenção de lutar contra a pobreza extrema e reduzir as suas consequências em domínios como a fome, a saúde e a educação.

 

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