Ian Tomlison tinha 47 anos e vendia jornais no centro de Londres. Quando abandonava o trabalho, nas ruas cheias de manifestantes em protesto contra as políticas do G20, foi atingido com uma bastonada pelas costas e empurrado até cair no chão por um agente policial. A Procuradoria Geral inglesa concluiu agora haver provas suficientes para entender que a acção do polícia ao atingir o vendedor constitui uma ofensa corporal, "desproporcionada e injustificada".
Mas acrescentou também, segundo o jornal Guardian, que há poucas hipóteses do polícia vir a ser julgado por homicídio, já que o médico que fez a autópsia confirmou a causa de morte por ataque cardíaco, tal como o primeiro relatório policial. Foi apenas depois, quando surgiram as imagens da agressão e se percebeu que era a mesma pessoa. "Simplesmente seria impossível provar acima de qualquer dúvida que existe um nexo causal entre a morte do sr. Tomlison e as alegadas agressões que sofreu", diz a Procuradoria.
Nenhum dos polícias auxiliou Tomlinson quando estava caído, tendo sido amparado na altura por outros manifestantes que passavam. O vendedor de jornais conseguiu andar 100 metros antes de cair pela segunda vez, já morto. As imagens recolhidas pela investigação ou as disponíveis na internet permitiram à polícia reconstituir a última meia hora de vida de Ian Tomlison.
Por outro lado, até uma acusação por ofensas corporais está fora de hipótese, dado terem passado mais de seis meses da data dos contecimentos.
A família do falecido, que deixou mulher e nove filhos, não se conforma com o atraso nas investigações e lembra a promessa da sua conclusão no fim do ano passado. Sobre a decisão agora tornada pública, não conseguiu esconder a raiva perante a declaração da Procuradoria. "Eles sabiam que se arrastassem o caso por tempo suficiente iriam escapar às acusações. Eles sabiam bem o que estavam a fazer", disse à imprensa Paul King, enteado do falecido, acompanhado da mãe. O advogado da família diz que "agora temos de descobrir se houve aqui falta de vontade ou incompetência e creio francamente que deverá existir um inquérito ao que se passou" na investigação.
G20: Polícia filmado a agredir transeunte não será acusado
22 de julho 2010 - 17:36
A justiça inglesa não vai proceder contra o polícia que durante a cimeira do G20 em Londres foi filmado a agredir pelas costas um transeunte, que viria a cair morto segundos depois.
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Momento em que a polícia agride pelas costas o vendedor de jornais que viria a morrer segundos depois. Imagem Guardian