Está aqui

França multa Monsanto por recolha ilegal de dados de ativistas e jornalistas

A Comissão Nacional de Informática e Liberdades multou a Monsanto em cerca de 400 mil euros por criar um arquivo com informações privadas de várias pessoas, classificando-as com base na sua capacidade de influenciar a opinião pública sobre o uso de glifosato.
Glifosato. Foto publicada em contraosagrotoxicos.org.
Glifosato. Foto publicada em contraosagrotoxicos.org.

O arquivo compilado pela Monsanto, empresa detida pela multinacional alemã Bayer, integra dados de mais de 200 figuras públicas, jornalistas, cientistas e ativistas ambientais.

A lista foi divulgada pelo jornal francês Le Monde e pelo canal público de televisão France 2 em 2019, mas só agora foi anunciada a decisão da Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL). Entre os dados arquivados pela Monsanto estão os locais de trabalho das pessoas, a sua posição e os seus números de telefone fixo e telemóvel, endereços de e-mail ou redes sociais. No documento, a Monsanto classifica cada pessoa, num índice de um a cinco, com base na sua capacidade de influenciar a opinião pública sobre o uso de glifosato e o seu possível nível de apoio à Monsanto em produtos como herbicidas e organismos geneticamente modificados.

A Monsanto compilou listas idênticas pelo menos noutros seis países europeus e instituições da União Europeia que abrangem um total de cerca de 1.475 pessoas.

O órgão regulador francês considera que a Monsanto "violou a regulamentação" em vigor, não informando as pessoas visadas e não cumprindo as garantias contratuais sobre proteção de dados nas suas relações com uma subcontratada.

Por sua vez, a Bayer questionou a decisão e a sua "responsabilidade pelo processamento de dados" e reitera que o seu arquivo era totalmente legal. A multinacional alemã também afirma que estudos científicos mostram que o principal ingrediente do seu polémico herbicida Roundup, o glifosato, é seguro.

Certo é que a Bayer anunciou há cerca de um ano que ia direcionar 10 mil milhões para encerrar cerca 95 mil processos relacionados com o glifosato e o herbicida Roundup. O glifosato há muito que foi considerado potencialmente cancerígeno (leia o artigo Por que é que o glifosato deve ser banido?), sendo produzido e comercializado pela Monsanto.

(...)