Num dos capítulos do seu relatório de previsões económicas a lançar na próxima semana, citado pelo Diário de Notícias, o FMI analisa o efeito macroeconómico do aumento da despesa no setor da Defesa, tendo em conta que em 2024 já havia 40% dos países a destinar mais de 2% do seu PIB a esta área.
Apoiando-se nos dados da despesa com Defesa de 164 países desde 1946, o FMI analisou o que chama de booms da despesa em Defesa - quando a sua média crescimento de dois anos está acima de 1 ponto percentual do PIB e enquanto a sua fatia do PIB não cai - e concluiu que em média esse boom de crescimento é seguido de um aumento do défice em 2.6 pontos percentuais do PIB e da dívida púbica em sete pontos percentuais do PIB três anos após o início desse boom.
Com o aumento da despesa em Defesa a ser financiado através de endividamento público, o que existe na prática é uma substituição da despesa social por despesa militar nos orçamentos, “com a despesa primária não relacionada com defesa a diminuir mais de 20% em termos reais (cerca de 2% do PIB) nos três anos seguintes ao aumento" e a despesa social a contrair cerca de um ponto percentual do PIB.
Um dos quadros do relatório FMI mostra como o corte dessa despesa não-militar pode chegar em termos reais a 26% na Saúde, 25% nos apoios sociais e 14% na Educação.
O FMI chama a atenção que estes efeitos orçamentais são muito diferentes em situações de guerra ou de paz, fazendo-se sentir de forma acentuada no primeiro caso, ao contrário do segundo.